sexta-feira, 1 de abril de 2016
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
EXPLOSÃO VERMELHA
Teixeira une agilidade, velocidade e evolução para ser aprovado
em sua segunda tentativa
E o que as pessoas do Pé Descalço, que acompanharam a sua trajetória,
tentaram te passar para esse segundo exame?
É verdade que o aéreo não saiu completo nenhuma vez durante os ensaios e só saiu na hora do exame?
Teixeira une agilidade, velocidade e evolução para ser aprovado
em sua segunda tentativa
BRUNO TRINDADE
Mesmo com todo o destaque e
qualidade de sua dança, ele teve humildade. Humildade para reconhecer que tinha
coisas a melhorar e que essas pendências foram as responsáveis pela sua não
aprovação no primeiro exame da Vermelha. O que para muitos serviria de chateação,
Vinícius Teixeira encarou de outra forma: primeiro como um combustível para
evoluir e voltar ainda melhor. E segundo como um presente, por poder sentir
toda a emoção do exame mais nobre do Pé Descalço mais uma vez.
Nos seis meses que antecederam o dia
derradeiro, Teixeira percorreu o seu caminho com um foco cada vez maior.
Treinos específicos, conversas com professores, autocrítica, perseverança e
superação fizeram parte de sua rotina.
Fotos: Pé Descalço / Divulgação
Em entrevista exclusiva ao blog
do PD Eldorado, o novo Vermelha conta o que ele fez de diferente para obter
sucesso, quais foram as suas emoções, a energia que ele recebeu das 521 pessoas
presentes no Círculo Militar, quem foi importante em sua caminhada e o que ele
espera daqui pra frente.
PD Eldorado: O que você fez de diferente para este segundo exame da Vermelha?
Teixera: A concentração foi maior. Eu
sabia o que tinha que melhorar. Por isso, os treinos foram intensos nesses seis
meses. A pressão era que eu tinha que fazer melhor do que eu tinha feito antes.
E com os treinos, as coisas vieram de forma natural, porque eu me dediquei
totalmente para melhorar o que era preciso.
A energia do segundo exame foi melhor do que a do primeiro?
A energia é a mesma em nível de
qualidade. Só que é diferente pelas músicas e pela galera que estava lá. E
estava muito mais cheio da segunda vez. Então, essa energia foi gigantesca. Foi
bom demais. As musicas foram perfeitas. Deram aquela energia a mais. É diferente
em cada exame, mas não posso dizer se foi melhor ou pior.
Como você fez para controlar a ansiedade desta segunda vez?
Eu achei que ia passar mal, mas
não passei. Fiquei surpreso com isso. Antes, eu não fiquei muito ansioso porque
eu sabia o que viria pela frente. No último dia antes do exame, quando fizemos
o treino coletivo e que foi um dos treinos mais legais que eu tive pela energia
que estava muito bacana, começou a bater a ansiedade. Mas a ansiedade mesmo foi
bater no dia, depois que acabou o exame da Preta Avançada. Aí, eu falei: ‘vai
começar o exame da Vermelha e comecei a tremer as pernas’. Mas foi mais
tranquilo do que da primeira vez.
E o que as pessoas do Pé Descalço, que acompanharam a sua trajetória,
tentaram te passar para esse segundo exame?
A gelara me apoiou. Sabiam que eu
estava treinando. Eu conversei com muita gente. Eu vi o meu primeiro exame
muitas vezes e comecei a reparar o que precisava melhorar. Conversei com os
professores Alex, Betinho, Rafael, Luiz, com a galera das outras unidades, e
comecei a treinar. Quando eu ia treinar musicalidade, por exemplo, eu ficava mais
no básico treinando contato, passos com o tronco, condução corporal. E eu
sempre perguntava para as meninas da Preta e da Preta Avançada se o meu braço
estava pesado, se eu estava puxando. Elas me ajudaram demais.
Como foram as escolhas do xote e do aéreo desta segunda vez?
Este xote (A morte do vaqueiro,
de Luiz Gonzaga) está no meu coração desde sempre. 24 horas depois do primeiro
exame, eu falei: ‘se eu passar no próximo pré-exame, o meu xote vai ser esse. É
um xote desperta um sentimento em mim que não tem como explicar. Eu até
arrepio. Ele “machuca”, entra na alma, é muito bom. O aéreo foi mérito de muita
gente. Fizemos confusão (a Juzinha e eu) e começamos a treinar o final do aéreo.
Estava saindo perfeito. Depois, fomos treinar o início e não saía de jeito
nenhum. A Juzinha se desgastou muito porque ela estava treinando com duas
pessoas. A gente viu que não ia dar certo. A Juzinha, então, deu a ideia de
outro aéreo, o Flair. Eu me apaixonei na hora, achei doido demais. O César nos ajudou
muito, mesmo assim o aéreo não queria sair. Aí, chegou o Walmir, o salvador da
pátria. Aquela gambiarra que ele nos passou deu certo. Gambiarra de ouro. Saiu
e ficou legal.
É verdade que o aéreo não saiu completo nenhuma vez durante os ensaios e só saiu na hora do exame?
Eu troquei a entrada do aéreo
menos de uma semana antes do exame. A galera estava dizendo que estava saindo,
mas eu não estava gostando. A partir da terça-feira antes do exame, começou a
sair mais fluido. Não estava saindo do jeito que eu queria, fluidão. Mas na
hora saiu do jeito que eu estava esperando. Foi doideira.
O que teve de diferente nas surpresas? A galera conseguiu te
surpreender?
Eu estava esperando muito mais zoeira.
Mas a galera gastou a zoeira toda no primeiro exame. O que eu não estava
esperando foram as cartinhas. Chorei o dia inteiro. A primeira cartinha foi da
Ju do Yan. Comecei a ler e a lágrima já começou a escorrer. Falei que não ia
chorar. Passou alguns minutos e eu estava chorando igual uma criança. A segunda
foi da Luiza. Chorei pra caramba. Cada cartinha que chegava, era um choro. Eu
juro que não esperava. A cartinha do Henrique foi doida demais. Me arrepiei
lendo, foi um reconhecimento que eu não
esperava. E por último, foi a carta da “mamãe Jubis”. Quando estava lá no meio,
abri a carta e vi escrito “Oi Fiotão”, a torneira abriu. Chorei igual um
condenado, mas valeu. Foi uma das melhores surpresas que eu já tive na minha
vida.
Como fez para equilibrar as suas emoções? Ao mesmo tempo em que você estava extremamente emocionado, tinha que se recompor rápido para dar o seu melhor na dança?
Como fez para equilibrar as suas emoções? Ao mesmo tempo em que você estava extremamente emocionado, tinha que se recompor rápido para dar o seu melhor na dança?
Não tem como. Você vai na fé. Mesmo
com esse chororô todo, a energia emocional estava lá em cima e acabou ajudando.
Eu cheguei lá na hora bem mais tranquilo. Na hora do xote do Ítalo, eu parei,
sentei no chão, refleti, dei uma relaxada pra canalizar todo aquele emocional e
entrar regaçando no exame.
O dia do exame foi do jeito que você imaginava?
Cada exame tem um jeito de nos
marcar de uma maneira especial. Eu gosto dos dois exames (que fiz pra Vermelha)
igualzinho. Só que o segundo exame saiu mais perfeito do que eu estava
esperando. O que mais eu estava esperando era o xote. Aquele xote (A morte do
vaqueiro – Luiz Gonzaga) é perfeito. Caiu a energia que eu queria com a
examinadora que eu queria: a Diandra. Não desmerecendo as outras examinadoras.
Todas dançam igual. Mas o meu xote encaixa muito com o da Diandra. Do mesmo
jeito que eu queria a Andrezza na minha rápida. Queria que a Babi caísse também.
Eu também queria muito que a Gisa tivesse caído no rastapé. Gostei muito de ter
sido com a Milena, mas eu queria que a Gisa tivesse saído em qualquer parte do
meu exame. Na verdade, eu queria todo mundo no meu exame. Cada examinadora tem
uma característica diferente que eu gosto. Mas a Gisa tem um significado
especial, lá no fundo do coração. Se não fosse por ela, eu não estaria aqui
hoje. Foi melhor do que eu estava esperando. Xote perfeito, rastapé perfeito,
baião perfeito. Foi tudo doido demais.
O que a Gisa fez?
Quando eu passei no pré-exame
pela primeira vez e me perguntei: e agora? O que eu faço? Exame da Vermelha? Como
eu vou fazer esse exame? Ela pegou na minha mão e disse: ‘Vamos. Eu estou com
você’. Ela me carregou nas costas. A gente dividiu uma experiência muito
bacana. Os dois na mesma sintonia, na mesma energia, com a mesma torcida.
Ansiosos, nervosos. Não teria outra melhor escolha no primeiro exame que não
fosse a Gisa.
Você se sente um privilegiado por ter feito esse exame da Vermelha duas
vezes?
Eu me sinto, com certeza. A galera
falava: ‘Nossa, você tomou pau na Vermelha, você devia ter passado’. E eu
sempre falei que ser reprovado no exame da Vermelha foi doido demais porque eu ia
fazer outro. O exame é doido demais. Eu fazia até três. Mas aí ta bom né?!
Depois do terceiro eu podia parar e passar (risos). Mas passar de segunda foi
muito bom. Eu queria ter feito mais de um exame pra Vermelha por causa da
energia, que não tem como explicar. Só quem está lá no meio é que sabe.
E depois que acabou o exame, você achava que seria aprovado?
Eu estava do lado do Yan e da Ju.
Aí, chegam os examinadores. Todos com aquela cara de desolação, olhando pra
baixo, tristes, cabisbaixos, chorando. Pensei que não tinha passado ninguém. A Juzinha
estava com uma cara de tristeza, a Gisa chorando, a Babi séria pra caramba e olhando
pra baixo... Aí começaram a dizer os resultados: Yan, Buto e depois, Teixeira. As
meninas olharam pra mim e começaram a sorrir. Na hora que eles falaram que
tinham passado quatro dos seis examinados, eu nem me dei conta que, obrigatoriamente,
dois do Eldorado tinham sido aprovados. Só depois de ouvir o meu nome é que a
ficha caiu.
O que você sentiu quando ouviu que você estava entre os aprovados?
Primeiro, foi aquele peso saindo
das costas. Era pressão e nervosismo até o resultado. Foi mais um degrau porque
a caminhada não termina depois que você chega lá. Eu já saí de lá querendo
treinar. Eu tenho coisas pra melhorar ainda: a minha musicalidade, a minha
expressão corporal. Eu não quero me estagnar. Eu estava treinando no que eu era
bom. Agora que eu não tenho um “objetivo” (um próximo exame), eu vou
complementar a minha dança e, se tudo der certo, virar examinador e professor.
Eu tenho que continuar evoluindo. Não adianta ficar estagnado e querendo que as
coisas venham até você.
É importante querer sair dessa zona de conforto?
Com certeza! Tem uma hora que
você olha para as suas qualidades e vê que você é o melhor. Mas tem pessoas que
não são tão boas quanto você nessas qualidades, porém tem uma dança muito mais
completa. E isso é uma coisa que eu acho mais válido. Eu tenho o meu estilo,
que é velocidade, a agilidade. Mas eu acho muito importante explorar a música,
conseguir transmitir, através do meu corpo e do corpo da dama, o que a música
está querendo passar. Não adianta só chegar lá, quebrar o pau, dançar rápido
pra caramba e não sentir a música. Isso é executar passos, não é dançar. Eu
estou querendo muito complementar minha dança, focando no Pé de Serra, na
musicalidade. Quero melhorar ainda mais pra minha dança ficar completa e eu
ficar mais satisfeito comigo mesmo.
Qual foi o seu primeiro ato como Vermelha?
Tomar muita cerveja pra
comemorar. O meu objetivo após ter passado pra Vermelha é complementar a minha
dança e virar examinador e professor. Então, desde que passei, mesmo não tendo
que fazer exame de novo, eu ainda quero ser visto como uma pessoa que continua
evoluindo. É a galera olhar pra mim e dizer: ‘Ou, ele não parou, ele está
evoluindo’. É ser reconhecido sabe, pelo seu esforço.
Já participou de alguma reunião, de algum evento como Vermelha?
Ainda não. Uma coisa que eu
queria muito ter ido foi um treino da Vermelha que ia rolar. Acabou que não deu
pra ir. Estou doido pra eles marcaram outro. Quando chegar lá, vou pensar:
‘Nossa, o que eu estou fazendo aqui?’. A ficha não vai cair direito não.
Agora que foi aprovado, dá pra dizer melhor: O que a Vermelha significa
para você?
Antes eu tinha falado que era
superação. Agora que eu cheguei, eu vejo como uma evolução. É continuar
progredindo. Eu já tinha esse pensamento de que, depois que eu chegasse à
Vermelha, eu não ia parar. Mas quando você chega, a primeira coisa que você
pensa é que você não vai mais fazer exame. Porém o Pé Descalço não é feito de
exame. O Pé Descalço é feito do amor pela dança. Quando eu passei pra Vermelha,
eu passei a prezar mais ainda o meu gosto e o meu amor pela dança. Mesmo que
tenha acabado os exames, você tem que dançar pelo prazer que você tem de
dançar, pelo amor que você tem pela dança. Então, você não pode parar. Senão, você
estará simplesmente desistindo de uma coisa que você gosta de fazer. O meu amor
pela dança não acabou e nem continua a mesma coisa. Ele continua aumentando
cada dia mais.
Se por um lado, você não fará mais exames, você poderá ser parte do
exame de outras pessoas que podem te escolher pra dançar, pra fazer aéreo?
Eu quero muito isso. Estou
bastante animado. Acho muito bacana pelas duas experiências que eu tive. As
meninas absorveram a experiência como se fosse o exame delas. A energia foi
muito boa, elas estavam lá de corpo, alma e empenhadas em nos ajudar. Eu posso
falar isso por mim e pelo Buto desse último exame, porque a Juzinha estava lá
todos os dias machucada, cansada, dando aula particular, mas com muita energia
pra treinar com a gente. É uma coisa muito bacana e que eu quero fazer pelos
outros. Poder pegar na mão, caminhar junto e ajudar a pessoa a chegar lá.
Quando foi a sua reação quando você ouviu que a Ana Flávia também tinha
sido aprovada?
Foi bacana demais. Eu fiquei
muito feliz pela Ana porque foi um esforço que muita gente não viu dela. Ela
treinou demais, se empenhou muito e eu achei muito bacana o fato dela ter
passado de primeira. Eu vou continuar falando: passar de segunda é melhor do
que passar de primeira. Eu fiz dois exames. Mas passar de primeira também é bom
demais porque você tem o esforço reconhecido. Eu fiquei muito feliz por ela.
O que você diria para os colegas do Eldorado, Ítalo e Camila, que
fizeram o exame da Vermelha e não passaram?
Vocês vão fazer de novo. Vai ser
bom demais e do mesmo jeito. Aquela energia incrível, que só quem fez sabe,
vocês terão isso de novo. Então, continuem treinando. Se você já chegou lá uma
vez, o que te impede de evoluir mais um pouco e fazer o exame de novo? Só pelo
prazer de estar lá no meio, já é motivação mais do que suficiente para
continuar evoluindo.
E o que dizer para as pessoas que tem mais dificuldade em chegar ao
exame da Vermelha?
Acredito que cada um tem o seu
tempo, e capacidade ou facilidade pra poder aprender as coisas. Na minha
concepção, seis meses é um tempo bom pra você conseguir evoluir o que faltou
pra você chegar lá. É foco. Pensa que o seu amor pela dança será revertido em
um mérito. Pensa que você quer sentir aquela energia pela primeira vez ou
senti-la de novo. Você quer estar lá no meio, quer estar lá dançando, ouvindo a
galera gritando o seu nome. Isso não tem preço. Então, é foco. Nem todo mundo
pode se dedicar sete dias por semana ao Pé Descalço. Todo mundo sabe disso. Mas
quando você estiver no Pé Descalço, dedique 110% que vai valer muito a pena.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
SONHO VERMELHO REALIZADO
Ana Flávia é aprovada e se torna a segunda mulher do PD Eldorado a se tornar Vermelha
FOTOS: BRUNO TRINDADE
BRUNO TRINDADE
Ana Flávia. A mais nova dançarina
Vermelha do Pé Descalço. A segunda mulher do Eldorado a alcançar tal feito. A
conquista histórica e marcante foi um sonho de dança que se realizou. Mas não
foi nada fácil. Ela teve que persistir muito até chegar ao colar da Vermelha.
No entanto, não pense que isso representou um sofrimento. Muito pelo contrário.
As seis reprovações e o aprendizado, muitas vezes detalhado e minucioso, foram
acompanhados da felicidade por simplesmente dançar. E amar aquilo que ela faz.
Mesmo com a preparação e evolução
ao longo dos anos, a Ana teve que se superar mais uma vez para ser aprovada.
Exatas 521 pessoas estavam lá, em volta dela, torcendo para o seu sucesso e
vibrando a cada passo executado durante o xote, o rastapé e o baião.
A energia do público era
contagiante para todos os presentes. E para a Ana? Em entrevista ao blog PD
Eldorado, a nova Vermelha falou dos sentimentos na hora do exame, do nervosismo
e da ansiedade, das homenagens, da energia da torcida, dos examinadores, da explosão
de alegria ao ser aprovada e do que ela terá que encarar, a partir de agora,
com o status de Vermelha na dança.
Bruno Trindade: O que você sentiu quando te chamaram para fazer o exame
da Vermelha?
Ana Flávia: Quando eu estava lá
no meio, eu senti felicidade, emoção, alegria. Eu senti que era a hora de
transmitir pra todo mundo a energia boa e positiva que eu estava sentindo.
Qual foi a parte em que você ficou mais nervosa?
A hora do baião, com certeza. Foi
a hora que eu falei ‘é agora, a hora do aéreo’. Acho que foi por causa do
aéreo. Querendo ou não, todo mundo tem uma expectativa maior na música mais
rápida. Acho que é na música mais rápida que você realmente mostra o seu
desenvolvimento na dança. Por isso, eu fiquei um pouco mais nervosa.
Em qual momento você ficou mais emocionada?
Eu fiquei muito emocionada no
xote, por ter sido com o Luiz. E também no início, com as homenagens. Eu senti
que todo mundo estava junto comigo.
Quando anunciaram o nome do Luiz, um grande amigo seu, como o examinador
do xote, o que você pensou?
Na hora, eu nem acreditei. Fiquei
muito emocionada, até chorei. Foi uma surpresa muito grande porque ele é uma
pessoa especial e porque estava ali em um momento especial para mim. Foi uma
coisa mágica, maravilhosa mesmo... sensacional.
Porque você achou que não ia passar depois que prestou o exame?
É muita responsabilidade. E como foi o meu primeiro exame, acho que foi mais
questão de insegurança mesmo. Eu gostei do meu exame. Mas fiquei com aquela
sensação de que podia ter feito mais.
E como foi aquele momento de ter que esperar até o último nome para ouvir
que você foi aprovada?
Eu fiquei muito surpresa, muito
mesmo. Eu realmente pensei que o último nome seria de qualquer uma das outras
pessoas que ainda não tinham tido o nome falado. Menos o meu. Eu já estava
preparada e não ia ficar triste se eu não tivesse passado. Mas eu fiquei
extremamente feliz por ter sido aprovada... e emocionada (risos).
Como é ser um Vermelha?
É ter uma responsabilidade muito
grande dentro de uma escola de dança, porque você acaba sendo referência para
todos os níveis. Ainda mais aqui no Eldorado. A primeira Vermelha foi a Gil. E
agora, a segunda sou eu. É muita responsabilidade você ser a mulher do nível
mais alto dentro de uma escola, ser realmente uma referência. Mas é muito bom,
é uma gratidão muito grande, é um amor, uma paixão mesmo pelo Pé Descalço.
O que mudou desde antes do exame, em que você não era uma Vermelha, para
agora, depois de tudo que aconteceu durante e depois da sua apresentação?
Eu estou me sentindo mais segura.
Querendo ou não, eu fui reconhecida. E eu estou muito feliz por isso. Acho que
foi isso que mudou. O reconhecimento que agora as pessoas têm por eu ser uma
Vermelha.
O que as homenagens representaram para você naquele momento?
As homenagens são as coisas que
te dão força, que te dão um gás a mais na hora do exame. Ali você vê, de
verdade, que todos estão com você. E que você tem que dar tudo de si porque
todo mundo que está te apoiando. São extremamente importantes as surpresas, as
homenagens. Mostra, realmente, para a pessoa que está ali no meio, que ela é
querida e que todos estão com ela, independentemente de qualquer coisa.
Tem alguma homenagem que você gostou mais, ou que te chamou mais a
atenção?
É difícil falar porque, para mim,
todas foram sensacionais. O pé enorme, que é do meu tamanho, com as fotos de
momentos que eu vivi dentro do Pé Descalço, me surpreendeu muito porque foi
inovador, nenhuma outra pessoa tinha tido uma surpresa desse jeito. Fiquei
muito surpresa com tudo. Mas a faixa que eles levantaram logo depois do rastapé
“Não sei com quantos paus se faz uma canoa, mas com seis se faz uma Vermelha.
Vai Ana!”, cara... Essa faixa me deu muito gás. No vídeo, dá pra ver que eu fui
à loucura. Essa faixa me fez pensar rapidamente em toda a minha trajetória
dentro do Pé Descalço e me dar gás para mostrar o que eu sabia ali no meio na
hora do baião.
Na hora do exame, passou um filme na sua cabeça de tudo que aconteceu
até você chegar naquele momento?
Acho que o filme passa depois que
acaba o exame. Aí, você começa a refletir sobre o fato de ter feito o exame da
Vermelha e que foi o último exame de colar. Quando você está lá no meio, você
pensa tanto em descontrair, que você não pensa muito em sua trajetória. Você
acaba ficando ansioso, nervoso, e muito feliz por estar ali no meio. Mas logo depois
do exame, quando acaba o baião e todo mundo vai te abraçar e te dar os
parabéns, aí começa a passar um filme na nossa cabeça.
E que filme passou na sua cabeça. Quais partes você poderia destacar?
Poderia destacar, principalmente,
a minha trajetória de Preta pra Preta Avançada. Foi uma trajetória longa, de
quase três anos. E quando eu consegui passar pra Preta Avançada, eu consegui
deslanchar até a Vermelha, já que tomei só um pau no Pré-Exame. Depois consegui
passar direto. No período da Preta pra Preta Avançada eu tomei muito pau, mas não
me arrependo de nada. Por mais que tenha passado só no quinto exame, acho que
foi só no quinto exame que eu estava preparada para passar. Os paus e as
reprovações foram justos até eu chegar onde eu estou hoje.
O seu baião foi a música “Forró do Rei”, do Trio Virgulino. Virou uma
música mais especial para você depois disso?
Com certeza. Eu fiquei
extremamente feliz e surpreendida quando meu baião começou a tocar e era o
“Forró do Rei”. Tanto é que eu fui à loucura, me deu um gás que não tem como explicar.
Hoje, toda vez que toca “Forró do Rei”, eu fico arrepiada, emocionada e me
lembro de tudo que aconteceu no dia 3 de outubro.
Qual foi o primeiro ato como Vermelha? Já teve algum compromisso
oficial?
Assim que eu passei pra Vermelha,
o Rick veio me abraçar e me perguntou se um dia depois, eu já podia dar um
workshop para o pessoal de Itajubá. E eu fiquei tipo... oi? (risos). Fiquei
feliz e surpreendida. Eu nem sabia o que responder. Acabou que, um dia depois,
no domingo, aconteceu a reunião dos examinadores pela manhã e eu já fiquei na
Savassi com o Rafael (professor) para darmos aula para o pessoal de Itajubá. E
foi uma experiência ótima. Foi o meu primeiro workshop e minha primeira aula
como Vermelha.
E como o pessoal te recebeu nesta reunião da Vermelha? Teve uma
recepção diferente?
Todos me deram os parabéns. E eu
fiz um agradecimento especial ao Raso. Acho que ninguém sabe disso. Ele reuniu os
seis examinados da Vermelha um pouquinho antes do exame e falou pra gente ir lá
e mostrar realmente o que a gente sabia. A atitude dele nos passou uma
segurança muito grande e fez toda a diferença. Um dia depois, eu fiz questão de
conversar com ele e dizer que foi realmente importante as palavras dele antes
do exame.
E agora, o que vem pela frente?
Eu não falo que se encerrou um
ciclo. E sim, que se abriu um novo ciclo. Estar na Vermelha é uma
responsabilidade muito grande, porque você tem sempre que manter um nível bom e
alto de dança, até mesmo para você se sentir satisfeito. Eu sempre vou praticar
e procurar melhorar pontos que eu ainda tenho para melhorar.
Simplesmente, dance. Dance feliz,
divirta-se em todas as aulas, independentemente se for Branca, Azul, Azul
Avançada, Preta ou Preta Avançada. Não pense somente em exame, porque o exame é
uma conseqüência de tudo. Exame é simplesmente para você mudar de roda. Claro
que é muito importante para o desenvolvimento da pessoa. Só que eu acho muito
mais importante você ter a essência da dança do que um colar no pescoço.
Que conselho você daria para as pessoas que foram reprovadas?
Para continuar. Que isso não seja
motivo de desânimo. E sim de uma motivação para você pegar a sua fichinha, ver
o que você precisa melhorar e trabalhar isso, porque passa rápido. Três ou seis
meses não é um tempo muito grande e dá pra trabalhar bem essas coisas.
Gostaria de fazer alguns agradecimentos?
Poxa... Eu quero agradecer
especialmente ao Rafael, que foi o examinador que eu escolhi. Ele foi a
primeira pessoa que eu conheci do Pé descalço. Ele está na minha trajetória de
dança há muito tempo. Um viu o outro evoluir. Ele sempre me ajudou e os treinos
para o exame da Vermelha foram maravilhosos. Eu quero agradecer muito a força e
o incentivo que ele me dava no dia a dia. Quero agradecer a todos os meus
amigos: Isabela, Luiza, Teixeira, Ítalo... Eu não vou ficar falando nomes para
não esquecer de ninguém, porque é muita gente.
Eu também quero agradecer,
especialmente, ao Bruno e à Michelli, que são dois amigos não simplesmente de
Pé Descalço, mas que eu realmente posso contar pra minha vida toda. E agradecer
também aos meus examinadores. O Luiz... nossa, foi um xote maravilhoso. Além de
meu amigo dentro, fora do PD, e pra vida inteira, ele me passou uma coisa muito
boa, uma segurança muito top na hora do exame. Na hora do xote, foi ele que me
deu segurança pra continuar. O Igor, nossa... foi muito legal o rastapé com ele.
Foi um divertido e a gente interagiu muito. O Rafa, que entrou pra fazer o
aéreo comigo e pra dançar o “Forró do Rei”. E o Dumont, que foi meu último
examinador, mas não menos especial. A interação, a energia dele foi muito boa.
Foi ótimo sair com esses examinadores. Eu amei.
Quero agradecer também aos meus
professores Alex e Betinho, que sempre me motivaram e foram os meus professores
desde o início. Sempre que eu cheguei e perguntei alguma coisa, eles estavam
ali pra me ajudar. Quero agradecer também a minha família, que sempre me deu
força, ao meu irmão Juju, que tava ali do meu lado sempre... minha mãe. Beijo
mãe (risos).
domingo, 11 de outubro de 2015
HISTÓRICO
No maior exame dos 12
anos de vida do Pé Descalço,
Eldorado dá show mais uma vez
FOTOS: BRUNO TRINDADE
Tendo o exame da Vermelha como atrativo principal, testes para mudança de colar atraíram 521 pessoas ao Círculo Militar, na Raja
BRUNO TRINDADE
O estilo e a paixão
que tanto cercam o Pé Descalço está, cada vez mais, ultrapassando
as fronteiras da escola de dança. Reconhecida no Brasil e no Exterior, a academia começa a atrair cada vez mais alunos e o
interesse das pessoas em conhecer a sua forma única de ensinar e
dançar forró.
O reflexo desse sucesso
esteve refletido na quadra do Círculo Militar, no dia 03 de outubro,
data dos exames para mudança de colar e da avaliação mais nobre da
Escola: o Exame da Vermelha. 521 pessoas estiveram presentes,
transformando o evento no maior da história do PD.
A grandiosidade do número de pessoas também apareceu na qualidade das apresentações do seis candidatos ao posto máximo da academia de dança. Dos examinados, quatro foram aprovados (Yan, Buto, Ana Flávia e Teixeira), sendo os dois últimos da unidade do Eldorado.
Camila e Ítalo, os
outros representantes da filial de Contagem, terão que fazer o exame
novamente. Porém, eles brilharam na dança e mostraram que voltarão
ainda com mais vontade e determinação para alcançarem o colar da
Vermelha.
Quais foram as sensações, os sentimentos, a euforia dos alunos do Eldorado? Quais serão os próximos passos dos novos Vermelhas e o que fará de diferente a dupla que tentará realizar o exame novamente daqui a seis meses?
Acompanhe as respostas
para essas questões aqui no blog do PD Eldorado. A partir de amanhã,
vamos conversar com cada um dos alunos do Eldorado que fizeram o
último exame da Vermelha.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
MAR VERMELHO
Fotos: GABI DAMASCENO
PD Eldorado faz onda de aprovações, leva quatro de seis aprovados para o
exame da Vermelha e promete um tsunami de emoções no dia 3 de outubro
BRUNO TRINDADE
Pé Descalço. Há muito tempo
deixou de ser somente um estilo. E não se limita apenas a uma paixão. É uma
escola que engloba todos os estilos e que desperta um sentimento incomensurável
de pertencimento ao jeito Pé Descalço de dançar. De encantar. E foi esse
emaranhado de coisas que os alunos do PD Eldorado conseguiram transmitir da
melhor forma possível para garantir a aprovação para o exame mais nobre da
escola.
Dos 30 candidatos que realizaram
o Pré-Exame, somente seis passaram. Dos seis, quatro são do Eldorado. Qual o
segredo? Segundo Camila, uma das escolhidas para realizar o exame da Vermelha,
a qualidade da unidade de Contagem é baseada na união.
“Acho que o Eldorado, hoje em dia, tem uma preocupação
muito grande com os alunos. Acho que a união da galera está fazendo todo mundo
evoluir junto. Não tem aquela preocupação, dentro da unidade, de que a gente
tem que passar no Pré-Exame, que a gente tem que passar na Vermelha, que a
gente tem que chegar ao último nível. É todo mundo ajudando todo mundo. Eu vejo
muito isso no Eldorado. A galera dança muito por diversão, por curtir aquilo
ali, por levar a escola no peito. Acho que foi por isso que cresceu todo mundo
junto. A gente deu trabalho nesse Pré-Exame. Tenho certeza absoluta. O Eldorado
foi o mais falado”, analisa.
Ana Flávia, outra estreante no exame mais top que a escola
oferece, também ressalta a relação próxima que existe entre os alunos da
unidade. “Querendo ou não, nós do PD Eldorado somos um grupo. Um ajuda e motiva
muito o outro”, disse.
Ítalo vê os alunos do Eldorado cada vez mais empenhados,
tanto em evoluir na dança quanto para aumentar o número de Vermelhas na
unidade. “Acho que o pessoal do Eldorado está correndo mais atrás devido à
falta de Vermelhas aqui no Eldorado. O pessoal está vendo que em outras
unidades, já tem muitos professores. E aqui tem muito pouco. Por isso, temos
que correr atrás”, conclui.
A partir de agora, você acompanha ENTREVISTAS EXCLUSIVAS com cada um dos quatro candidatos a exame da Vermelha.
A começar por TEIXEIRA,
que tentará o colar da Vermelha pela segunda vez. Agora, ele quer mostrar a sua evolução e que está pronto para se juntar ao seleto grupo de professores da escola.
Você passou nos dois últimos Pré-Exames. A sensação foi diferente desta
segunda vez?
Foi sim, porque você sente que a
responsabilidade é maior. Você estava naquele nível de dança, mas não deu pra
passar para a Vermelha naquela época. Aí você fez o Pré-Exame de novo e passou.
Tem aquela chama lá dentro falando: “Ou, tá na hora. A hora é agora. Vamos
batalhar.
Então, você acha que a responsabilidade deste segundo exame da Vermelha
será maior?
Muito maior. A expectativa também
será muito maior.
Mas também deve ser uma felicidade você ter conseguido essa segunda
aprovação seguida no Pré-Exame?
Foi. Ter tomado pau, no outro
exame, nem foi tão ruim. Porque eu sabia que eu ia fazer de novo. E fazendo de
novo, eu vou sentir aquela energia, a galera gritando por você. Você sabendo
que você evoluiu. Estou preferindo fazer dois exames da Vermelha do que fazer um
só. Acho muito mais doido. Espero que eu passe neste.
Porque você acha que conseguiu passar de novo no Pré-Exame?
Eu não sei quanto à galera, mas
desde que eu tomei pau no exame da Vermelha, eu não desanimei. Eu já tinha o
meu feedback do que eu tinha que melhorar. Eu treinei muito forte nesses seis
meses para conseguir melhorar e chegar lá.
Às vezes, as pessoas falam que o candidato não conseguiu dançar tudo
que ele pode. O que significa isso?
Por exemplo, quando você está no
espaço livre, você está na sua zona de conforto, você não está sendo avaliado.
Aí, você chega lá no Pré-Exame e tem aquele tanto de examinador te olhando,
vendo você dançar, aí você fica nervoso. Então, meio que você abaixa seu nível
de dança um pouco, o que acaba te atrapalhando. No meu caso, eu passei mal
durante o meu Pré-Exame, aí fiquei mais pilhado ainda. Ficava pensando que não
ia conseguir dançar. Mas no final, deu tudo certo.
O que você melhorou nesses seis meses?O que você conseguiu fazer nesse
segundo Pré-Exame que você não conseguiu fazer no primeiro?
Na minha visão, o que eu
precisava melhorar muito era a minha musicalidade. E a interação com a dama
dentro dessa musicalidade. Porque eu sempre fui aquele cara de velocidade,
agilidade, que gosta de quebrar o pau. Só que tinha na hora que a música pedia
mais musicalidade do que quebrar o pau. Eu tinha um pouco mais de dificuldade.
E eu senti que nesses seis meses eu tive uma evolução nesse quesito. E melhorar
a divisão do corpo de dança, se adequar a cada tipo de música. Não é somente se
é xote, se é rastapé ou se é baião. Tem baião que pede pra dançar mais fluido,
mais quebrado. Eu sinto que tive uma evolução boa nisso.
A preparação do primeiro Pré-Exame foi diferente da preparação que você
fez para o segundo?
No primeiro Pré-Exame, eu
realmente não tinha ideia de que iria passar. Então, eu fui dançando, tentando
melhorar, mas sem aquele objetivo de passar no Pré-Exame. Eu pensei: vou fazer
pra ter uma experiência, vai ser legal porque é uma honra fazer o Pré-Exame. Desde
de Branca, a Azul, eu sonhava em fazer esse exame. Então, tinha que fazer
bonito. Aí, eu pensei: se eu consegui passar naquele Pré-Exame, porque não vou
conseguir passar neste? E falei pra mim mesmo: eu quero passar no Pré-Exame de
novo. Sentir a energia da galera de novamente. Desta vez, o foco foi maior.
O que você está pensando para mais um exame da Vermelha?
Eu não tenho nem ideia do que vai
rolar neste exame. Eu só quero que a energia da galera e a minha estejam com a
mesma sintonia que estavam no outro exame, porque foi muito bom. Só de falar no
exame, eu já começo a arrepiar. Só quero sentir a mesma coisa novamente.
Tem algo que te preocupa pra este exame?
Acho que não tem algo que me
preocupe. Eu penso: nossa, tal música podia cair pra mim porque ia ser legal,
ou esse rastapé combina comigo, ou queria sair com determinada examinadora.
Você está mais tranquilo do que da primeira vez?
Eu estou mais tranquilo porque eu
sei como é que funciona. Então, dá pra me preparar melhor. Mas a expectativa e
a ansiedade não diminuem não.
Além das coisas que você disse que precisou melhorar, o que você terá
que fazer agora para que o resultado do dia 3 de outubro seja diferente?
É chegar lá e dançar. Esquecer o
resto. Foca só na energia, na música, na examinadora e dança tudo que você sabe
fazer.
O que representa, caso você seja aprovado, ser um Vermelha?
A galera acha que, quando você
chega ao colar da Vermelha, é o fechamento de um ciclo. Eu entendo que a
Vermelha é mais um degrau, porque quando você chega à Vermelha, você não para
de aprender. Então, eu vou querer sempre estar absorvendo, melhorando as minhas
qualidades e os meus defeitos. Porque tem gente que é melhor do que eu em
determinadas coisas. Então, eu posso pegar alguma coisa aqui e ali, incorporar
e continuar melhorando. A Vermelha é a realização de um sonho.
Você já teve essa experiência. Como foi receber o apoio da torcida e o
quanto isso foi importante na hora de você fazer o seu exame?
Eu estava desmoronando, com as
pernas tremendo, não conseguindo ficar em pé. Aí, na hora que eu vi aquelas homenagens, não
acreditei e falei: nossa, que energia doida. Foi uma base para eu me reerguer e
falar assim: vai ser um exame doido porque a galera está torcendo por mim. E
essa energia, nós vamos compartilhar. A energia é o que te sustenta lá no meio,
que te deixa em pé, que te faz ter aquela vontade de dançar e de arrebentar com
tudo.
Se você fosse resumir em uma palavra a sua trajetória aqui no Pé
Descalço, que palavra seria essa?
Superação. Porque eu tinha muita
dificuldade no começo. Cheguei a me machucar e ficar parado. Mas o sonho nunca
foi embora. Fui subindo degrau por degrau até chegar ao Pré-Exame.
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Estreantes em exames da Vermelha, ANA FLÁVIA, CAMILA E ÍTALO têm qualidade de sobra para conquistar o colar. Que
cartas eles têm na manga? Qual será o trunfo de cada um deles? Confira com cada um deles os detalhes de mais um espetáculo com o selo de
qualidade do Pé Descalço.
ANA FLÁVIA
Quanto tempo você tem de Pé Descalço?
De Pé Descalço, eu tenho aproximadamente quatro anos. Eu
entrei em Dezembro de 2011.
Já dançava antes de vir para o PD?
Sim. Eu comecei a dançar com 11 anos em uma escola de
dança de salão. Eu fazia Samba, Zouk, Salsa, mas não fazia muito forró. Aí, eu
conheci alguns amigos que me levaram a entrar no Pé Descalço.
Você entrou em que nível?
Eu entrei na Azul e já fiz exame direto para a Azul
avançada, no qual eu passei.
Você se lembra do primeiro exame que você fez?
Eu lembro que não foi muito difícil porque eu já tinha um
pouquinho de noção de dança, mas eu fiquei bem nervosa. Eu fui a única a fazer
exame de Azul pra Azul Avançada no dia. Então, eu fiquei sozinha fazendo exame
de Azul pra Azul avançada e todo mundo olhando. Por isso, eu fiquei nervosa.
Depois das aprovações e dos novos colares adquiridos,
foi ficando mais fácil ou mais difícil?
Foi ficando bem mais difícil, porque os níveis vão
passando e as dificuldades aumentando. Você tem que prestar mais atenção em
alguns aspectos da dança. Tem que prestar mais atenção em postura, em leveza do
braço, em dividir o corpo e saber diferenciar o corpo de dança como, por
exemplo, o xote do baião.
Qual foi o seu caminho para chegar até aqui?
Eu entrei na Azul, fiz exame da Azul pra Azul avançada e
passei. Da Azul Avançada pra Preta, tomei um pau e passei no segundo exame. Da
Preta para a Preta Avançada, eu tomei quatro paus e passei no quinto. Tomei ainda
um pau no Pré-exame e passei no segundo Pré-Exame que fiz. E agora vou fazer o
exame pra Vermelha.
Quando você entrou e ficou sabendo dos níveis de dança
do PD, te passava pela cabeça um dia chegar à Vermelha?
Não. Eu sempre encarei o Pé Descalço para dançar.
Simplesmente dançar, sem pensar muito em nível, ou em chegar na Vermelha. Mas
quando eu passei pra Preta e vi que estava evoluindo mais, eu me senti muito
motivada. Foi a partir da Preta que se tornou um sonho fazer o exame e passar
para a Vermelha.
O que você sentiu quando falaram o seu nome e que você
iria fazer o próximo exame da Vermelha?
Na hora, eu não acreditei. Como eu tenho quatro anos de Pé
Descalço, muita coisa passou pela minha cabeça e eu fiquei em choque. Eu simplesmente
não acreditei que eu ia fazer o exame da Vermelha. Vi muita gente me abraçando
e me dando os parabéns. Eu fiquei muito feliz.
No penúltimo Pré-exame, você não passou. O que você fez
agora pra passar nesse último Pré-exame?
Confiança. Eu acho que no primeiro Pré-Exame estava sem
confiança, insegura. E mesmo estando tranquila, acho
que faltou segurança. Nesse último exame, eu estava um pouco mais segura,
mesmo ficando mais nervosa do que no Pré-exame em que eu tomei pau.
Qual vai ser a maior dificuldade que você que terá
neste exame da Vermelha?
Nervosismo. Acho que é a única coisa que pode me tirar um
pouco o foco do exame. Em todos os exames que já fiz, eu fiquei bem nervosa,
principalmente da Preta para a Preta Avançada. E agora será a primeira
experiência no exame da Vermelha. Acho que eu vou ficar bem nervosa. Será a
minha maior dificuldade. Mas vou tentar me controlar.
Como fazer para controlar a ansiedade antes do exame e
o nervosismo na hora de de realizá-lo?
Suco de maracujá, chocolate e respiração profunda (risos).
É pensar que vai dar tudo certo, ter confiança em você mesma e, quando estiver
lá na hora, pensar simplesmente em dançar.
Que tipo de xote você pretende escolher? Um xote mais
lento, mais movimentado?
Ainda estou bem confusa em relação à escolha do xote. Eu
quero um xote que seja marcante para mim, mas eu quero uma coisa mais
diferente. Não fugindo do forró, mas um xote mais musical.
O aéreo te preocupa?
Um pouco. Porque eu não tenho muita experiência em aéreo e
eu sou muito insegura. Mas eu vou me esforçar.
Você pretende fazer um aéreo mais simples, mais
impactante?
Estou pensando em fazer um aéreo um pouco mais simples,
mas com um efeito legal.
Caso você seja aprovada no exame da Vermelha, o que
isso vai representar para você?
É um sonho que eu tenho de um tempo pra cá. Eu quero somar
na unidade do Pé Descalço Eldorado, dar aulas mais focadas para as mulheres.
Desde o começo, eu não tive uma referência feminina. Então, eu quero ser para
as meninas a referência que eu não tive. Vai ser uma realização muito grande e
um reconhecimento de tudo que eu passei aqui dentro. Vou ficar emocionada e
muito feliz.
A responsabilidade é maior ou é menor pelo fato de ser
o seu primeiro exame da Vermelha?
Eu acho que maior porque é lá que você vai mostrar tudo aquilo
que você aprendeu ao longo de sua trajetória. É o exame em que você realmente
tem que mostrar o que você sabe. É só você lá no meio. Por isso, acho que é
mais difícil por ser o primeiro.
O que você acha que precisa levar para o exame para que
você seja aprovada?
Animação, segurança e vontade de dançar.
Qual a importância das homenagens que as pessoas
costumam fazer antes do exame da Vermelha?
Uma motivação muito grande. Eu vou ficar muito motivada em
ver a unidade do Eldorado toda me apoiando. Vai me dar uma força maior. Acho que
essas surpresas, as homenagens mostram o que você representa na unidade.
Se você fosse descrever a sua trajetória no Pé Descalço
em uma palavra, que palavra seria?
Acho que felicidade. É o que traduz o meu sentimento. O Pé
Descalço mudou a minha vida. Me deixou mais alegre, mais feliz mesmo.
Em algum momento, por causa das reprovações, você
pensou em desistir?
Acho que ficar chateada não tem como evitar. Mas as
reprovações sempre me deram mais motivação para continuar, para mostrar pra mim
mesma que eu conseguia chegar ao nível que eu queria.
O que representa um Vermelha pra você?
Um Vermelha representa esforço, dedicação, paixão pela
escola. Para pessoa passar para a Vermelha, ela tem que ter realmente dedicação
e paixão pela escola, paixão pela dança, paixão pelo forró.
rrastapé, e quem vai entrar na
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CAMILA
Quanto tempo você
tem de Pé Descalço?
Tenho três anos e meio.
Já dançava antes de
entrar no PD?
Não, aprendi lá. Sabia dois pra lá, dois pra cá e alguns
movimentos. Mas aprendi a maioria lá.
Entrou em qual
nível?
Entrei na Branca, não tinha transparente na época. Entrei
na Branca, aí um mês depois, foi o exame pra Azul.
Lembra como foi o
seu primeiro exame?
Lembro. Foi com o César. Eu estava muito nervosa. Eu não
conhecia exame. Fiquei muito nervosa, minha mão estava soando, tremendo, não
sabia nada, mas eu passei. Foi muito legal.
Em qual unidade
começou a fazer aula?
Eu entrei no Eldorado. Nunca saí do Eldorado. Eu faço aula
em outras unidades, mas continuo no Eldorado, sempre.
Depois da primeira
aprovação, os exames ficaram mais fáceis ou mais difíceis?
Mais difíceis, porque só vai ficando mais complexo. Na
dança, você vai evoluindo e ficando cada vez mais complicado. Então, vai
chegando o momento em que você tem que desconstruir tudo o que você aprendeu e
aprender tudo de novo. È muito mais difícil.
Quantas reprovações
você já teve e em quais níveis?
Já tive uma reprovação pra Preta, uma pra Preta avançada e
duas no Pré-Exame. Esse último foi o terceiro Pré-Exame e eu passei, graças a
Deus.
Você sabia sobre
essa dinâmica da escola de promover exames para a troca de colares?
Que tinha exame eu já imaginava, porque tinha a distinção
de colares. Eu só não sabia como funcionava. Eu já conhecia o Pé Descalço antes
de entrar, de ouvir falar. Tinha amigos que faziam aula. Quando eu entrei e
estava próximo à data de um exame, eles sempre davam recado falando sobre a
mudança de colar. Mas só tomei conhecimento de como era, como acontecia, como era
a dinâmica no dia do exame mesmo.
A partir do momento
que ficou sabendo da existência dos colares e da mudança de níveis, passou a
ser um sonho chegar à Vermelha?
Desde que eu entrei, já comecei a ver vídeos da Vermelha.
(risos). Aí, eu falei: eu quero chegar lá. No dia que eu entrei, já escolhi a
pessoa que ia me examinar na Vermelha. Sou dessas assim. E mantive até hoje. Eu
assistia a muitos vídeos. Eu queria muito chegar à Vermelha. Não sabia que ia
ser rápido. Acho que todo mundo quer né?! Todos que entram e assistem aos vídeos,
falam: Nossa... eu quero estar lá. Então, vou ralar pra conseguir.
O que você sentiu
quando ouviu o seu nome como uma das pessoas aprovadas para o exame da Vermelha
pela primeira vez?
Que isso... acho que não dá nem para descrever. Foi
sensacional. Eu não esperava. Acho que fiquei mais surpresa. E eu fiquei muito
feliz por estar representando a minha unidade. Tinha muita gente do Eldorado. A
sensação de todo mundo foi mútua de estar levando o nome da escola. Foram
quatro pessoas aprovadas do Eldorado, e pessoas que eu gosto. A gente fica meio
abalada pelas pessoas que não passaram e que estão com a gente nessa caminhada.
Mas eu fiquei feliz demais. Nossa senhora, doidona. Eu chorei igual criança
(risos).
Você não passou nos
dois primeiros Pré-Exames que você fez e passou no terceiro. O que você fez de
diferente para que o resultado fosse diferente também?
Acho que ter ido pra outras unidades me ajudou bastante. O
Eldorado é muito bom, mas você ter a visão de outros professores sobre a sua
dança, dançar com pessoas diferentes me ajudou a evoluir muito. Eu comecei a
dar aula na Pampulha também, o que me ajudou a ter uma consciência corporal minha
e do outro muito maior do que eu tinha antes. Dar aula também ajuda bastante a
evoluir. Eu convivi com pessoas que eu tenho como mestres no Pé Descalço, como
César, João Marcos, o Tales, o Igor, a galera que me ajudou demais, além do
pessoal do Eldorado.
O que você acha que
vai ser o mais difícil neste exame?
Controlar a emoção quando eu chegar lá no meio. A perna
vai tremer, eu vou ter medo de desmaiar e de não dar conta. De ter um
piripaque. Tenho medo demais de acontecer isso.
Está ansiosa,
nervosa?
Estou. Olha a minha mão. Estou doidona.
Como você pensa o seu xote? Será um xote mais ritmado,
um xote mais lento, mais fluido?
Vai ser um xote bem forró. Bem sanfona. Eu tenho mania de
falar que esse xote faz doer o coração. De verdade. E é uma música que, desde
que entrei no Pé Descalço, eu sempre gostei muito dela. Ela toca razoavelmente nas
rodas das aulas do pessoal iniciante. Eu gosto bastante.
O aéreo te preocupa?
Não sei o que vou fazer, mas não me preocupa. Eu tenho
medo de me machucar nos treinos e não consegui fazer o aéreo. Mas de ficar
preocupada e pilhadona no aéreo, não. É uma parte importante, mas eu acho que é
a parte menos importante do meu exame.
Caso você seja aprovada. O que irá representar isso pra
você?
Nossa... Representa uma conquista que não vai ser só
minha. Vou levar o nome de muita gente junto comigo. Eu estou fazendo muito por
mim, mas muito por essas pessoas, pelos professores. Eu carrego o nome do Alex
e do Beto junto comigo desde que eu entrei no Pé Descalço. Os meus alunos da
Pampulha. São outros quinhentos você fazer o exame da Vermelha e ter um tanto
de gente que tem você como referência. A aprovação vai ser muito para eles
também.
O que significa ser um Vermelha pra você?
Que começou de novo. Eu não sei. Se eu passar, eu te conto
(risos). Eu também quero saber (risos).
A responsabilidade é maior ou menor por você estar
fazendo o seu primeiro exame?
Maior. Todo mundo espera demais. Mas se for comparar com
um segundo exame, por exemplo, a expectativa do primeiro é menor. Quando você
faz um exame e depois vai fazer outro, todo mundo espera que seja o dobro do
que foi no primeiro. A expectativa é menor no primeiro exame. Não pra mim, mas
talvez pra quem assista.
O que você acha que precisa levar pra hora do exame
para ser aprovada?
O meu objetivo é dançar de um jeito que todos sintam que
estão dançando comigo. Eu não quero fazer o exame pra mim. Não é uma coisa que
eu vou chegar lá no meio, fazer sozinha, dar um show e todo mundo vai me aplaudir.
Eu quero que a galera sinta a emoção de estar junto comigo dançando com quem
quer que seja que entre no meu exame. Acho que isso é fundamental. Influencia
na sua energia, na energia de quem está com você e na energia da galera que
está em volta.
Qual a importância dessas homenagens que as
pessoas fazem antes do exame para as pessoas que estão lá dentro?
Acho que é uma faca de dois gumes. É muito massa. Eu sei
como é que é porque eu já fiz muitas torcidas. Mas eu acho que eu sou muito
cagona. Dependendo do que a galera fizer, acho que eu vou desmaiar. Ou então eu
vou chorar tanto que na hora que chegar no xote, eles vão ter que cancelar o
meu xote porque eu não vou consegui dançar. Mas acho que torcida é fundamental,
porque é muito ruim você chegar a um lugar, ainda mais em um exame da Vermelha,
e não ter ninguém torcendo por você. Não precisa de banner, faixas e das coisas
que o pessoal do Eldorado faz. Nem que seja a palma, a energia da galera é
importante.
Se você fosse
resumir a sua trajetória no Pé Descalço em uma palavra, que palavra seria?
Superação. Porque eu não sabia nada quando entrei no Pé
descalço. Aí, fui crescendo e, ao mesmo tempo, tropeçava no meio do caminho.
Você acha que está bom e aí vem alguém e fala, nossa, está uma merda. E é muito
complicado. Você tem que ter muito equilíbrio para não deixar a crítica te
abalar. E já rolou que eu ficasse muito mal com algumas críticas. Eu superei
muita coisa, muita quebra de expectativa, de opinião ao longo da trajetória no
Pé Descalço. Então, foi uma superação, sem falar das limitações que todo mundo
tem: corporal, mental, etc.
O que dá pra fazer
do dia do Pré-exame até o dia do exame da Vermelha?
Acho que dá pra fazer tudo. O tempo é relativo. Dá pra
fazer o que você quiser com o tempo. Acho que dá pra fazer coisa demais. Não é
só elaborar o aéreo. Dá para melhorar muita coisa. Vou fazer tudo que estiver ao
meu alcance para ir além.
O que pode te
atrapalhar no dia do exame?
O emocional pode me atrapalhar. Se eu não usar ele ao meu
favor, eu vou desmaiar, vou ter problemas. Já falei. Vou tomar um chá, uma
catuaba. Foi assim que eu passei no Pré-exame. Tomei dois copos de catuaba e foi
ótimo. (risos). Não sei se vou ficar pilhada porque estarei examinando. Vou
examinar até a Preta. Depois, vou ficar de boa para o exame da Vermelha. Eu vou
tentar usar o emocional ao meu favor, vou tentar ficar calminha. Acho que a
energia da galera ajuda muito a gente ficar nervoso e calmo ao mesmo tempo.
Dá pra imaginar o
clima, o que vai sentir quando chamarem o seu nome e você estiver lá no meio?
Vou tremer, acho que vou ficar
mais nervosa, não com o meu nome, mas quando for entrando as pessoas que vão dançar
comigo. Porque a maior expectativa é saber quem vai fazer aquele momento
acontecer com você. Vai ser muito doido na hora que chamar o examinador do meu
xote, do rastapé, e quem vai entrar na minha rápida. Acho que vai ser a parte
mais emocionante do exame.
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ÍTALO
Há quanto tempo você está no Pé Descalço?
Tem dois anos e quatro meses que estou no Pé Descalço.
Você já dançava antes de entrar no PD?
Eu fiz aula de forró com meu irmão durante dois meses na
academia em que ele dava aula, mas não é o forró que a gente vê no Pé Descalço.
É um forró bem diferente. O forró do Pé Descalço é uma mistura de várias
danças. Ao mesmo tempo que ele pode ser um pouco mais clássico, pode ser um
pouco mais quebrado, mais redondo. Tem muita variação. E o forró da outra
academia era uma coisa só. Por isso, é que eu gostei mais do forró do Pé
Descalço.
Você entrou em qual nível no Pé Descalço?
Eu entrei na Branca.
Você lembra como
foi o seu primeiro exame?
Eu me lembro da sensação. Podemos dizer que é praticamente
a mesma sensação de quando você vai fazer qualquer exame. Mas o primeiro, você
pensa: e agora, o que eu faço? Achei que foi bom, mas eu fiquei muito nervoso,
muito mesmo.
Você foi reprovado alguma vez?
Eu fui reprovado uma vez para a Preta avançada e em um Pré-Exame.
Depois que você foi mudando de nível, foi ficando mais
fácil ou mais difícil?
Até a Preta, eu achei mais tranquilo porque a gente foi
evoluindo junto com a roda. No intervalo de tempo entre os exames, deu para
pegar esse desenvolvimento. Porém, depois ficou mais complicado. Eles analisam
questões além da técnica. Eles olham como você está dentro do Pé Descalço, olham
tudo. Então, vai ficando um pouquinho mais difícil.
Quando você entrou, você já sabia dessa mudança de
colar? Quando ficou sabendo, até onde queria chegar?
Quando eu entrei na Branca, não sabia que tinha essa
mudança de nível e via o pessoal falando sobre os exames. Decidi fazer pra ver
como ia ser. Fiz o primeiro exame e passei para a Azul. Na Azul, eu já comecei
a ver a Preta, a ver o pessoal quebrando o pau, dançando mais rápido, com uma
desenvoltura maior, com os passos mais desenhados. Acho bem clássico o forró do
Pé Descalço. Uma mistura de um tango, com uma postura muito boa. Sei lá... Foi aí
que eu disse que queria chegar à Preta. Quando cheguei à Preta, eu falei:
agora, eu quero ir até a Vermelha. Estamos aí tentando (risos).
Depois que você teve conhecimentos desses níveis de
aprendizado, e que teria que ter toda essa evolução na dança, a Vermelha virou
um sonho?
Com certeza. Quando você vê o pessoal da Vermelha
dançando, você quer estar lá. Quando eu estava na Preta, eu ficava vendo o
Pré-Exame da Preta avançada, nossa... Eu
percebi que era o meu sonho estar lá. Quando eu conseguir
passar no exame da Vermelha, será a melhor sensação que poderá existir.
Agora, você foi aprovado
no Pré-Exame. O que você sentiu quando disseram que você seria um dos
candidatos a fazer o exame pra Vermelha?
Nossa... todo mundo pulou em cima de mim. No começo, eu
não conseguia acreditar. Depois que todos saíram de cima de mim, e que vi todos
me olhando, aí caiu a ficha. Eu comecei a chorar. É uma mistura de tudo porque
é uma coisa que você queria há muito tempo. Você conquistou isso e agora vai
fazer um exame maior ainda, vai fazer um espetáculo, um show pra todo mundo
ver. Todos estarão torcendo por você. É você sendo reconhecido dentro do Pé
Descalço. E isso é muito gratificante. Muito mesmo.
No penúltimo Pré-Exame, você não passou. O que mudou
para que você conseguisse, no último Pré-Exame, escrever uma história
diferente?
No penúltimo Pré-Exame, eu recebi alguns feedbacks, umas
críticas negativas e positivas, e as críticas negativas foi as que prevaleceram
e que me deram pau. Mas eu corri atrás pra tentar evoluir, pra melhorar e fui
pedindo dicas ao longo do percurso. Fui adaptando a minha dança, de acordo com
o que eles pediam, mas ao mesmo tempo eu não mudei o meu estilo. É muito
importante você manter o seu estilo e mudar algumas coisas que precisam ser
melhoradas e que são cobradas dentro do Pé Descalço.
E agora, o que você acha que será o mais difícil?
Vai ser lá no meio. Quando chegar lá, eu não sei o que vou
fazer. Não sei mesmo. Claro que a gente fica imaginando o xote, o rastapé, o
baião... mas eu não imagino o aéreo na hora. Deve ser uma coisa tão automática.
Você deve ter que treinar tanto o aéreo que você nem vai sentir no momento, e
depois você vai ficar muito relaxado, muito leve. Acho que vai ser uma energia
muito forte.
Como você imagina o seu xote? Já está pensando em
alguma coisa?
Pelo menos eu, fico escutando o xote algumas vezes no dia
e fico imaginando o que eu faria. Mas não tem um roteiro a ser seguido. Será o
que sair no momento. Se for um xote mais aberto, se for um xote mais juntinho,
isso vai depender da hora mesmo... de como eu vou estar, de como o meu
examinador vai estar, de como estará a energia, depende de vários fatores.
Você tem preferência do tipo de xote,? Será um xote
mais ritmado, um xote mais lento?
Uma preferência, não. Mas sou muito de seguir de acordo
com a música. Por exemplo, eu gosto de xote mais quetinho, mais juntinho. Mas
eu também gosto de um xote mais aberto, mais “rápido”.
O aéreo te preocupa?
Muito, muito. É uma preocupação porque eu não sei o que eu
vou fazer. Eu vejo vídeos de Salsa, de West pra pegar aéreos de outras danças.
Na hora vai sair, antes, nos treinamentos, também vai sair. Mas eu não tenho
muita força pra fazer uma coisa cabulosa. Quero fazer uma coisa doida no
momento, mas não muito cabulosa.
O passo aéreo não é obrigatório. Passa pela sua cabeça
não fazer o aéreo? Ou apesar de não ser um passo obrigatório faz parte do show
e você acha que é um ingrediente especial do espetáculo?
Quando você faz um aéreo, todos meio que vão à loucura. As
pessoas ficam falando: Nossa!. É inovador, uma coisa que ninguém viu antes.
Causa impacto. Eu queira fazer o aéreo mesmo por essa questão. Não por mim,
mais pela emoção do momento e por tudo que as pessoas vão sentir.
Vai optar por um aéreo simples, complexo ou mais
impactante?
Eu pretendo duas coisas: uma coisa simples, mas um aéreo
bem cabuloso. Não cabuloso de jogar pra cima e tal. Mas um aéreo meio rápido,
que todos não consigam entender muito bem o que eu fiz. Mas todos vão ficar
falando: olha o que ele fez.
O que representará essa aprovação para você?
Uma aprovação será um reconhecimento. O reconhecimento de
todos os Vermelhas, de todas essas pessoas que a gente idealiza ser algum dia.
São eles dizendo que você pode fazer parte do grupo deles; que a sua dança
condiz com esse grupo. Pra mim, a aprovação seria o máximo. Não o máximo no
sentido de terminar o caminho. Mas seria o máximo no sentido de ápice. Sei que
depois terá uma continuidade e uma longa caminhada pela frente.
O que você acha importante levar para o dia do exame?
Muita energia. Porque o exame da Vermelha, principalmente,
é muito cheio de energia. Não adianta chegar lá na meio e fazer um tanto de
passo cabuloso, uma porção de coisa cabulosa, um aéreo cabuloso, sendo que você
não vai levar energia. Depois que você finaliza o aéreo, por exemplo, deve ser
uma sensação única. Você deve ficar muito empolgado, deve ser muita emoção. É
você passando essa energia para o pessoal que está te assistindo e eles jogando
essa energia pra você. Deve ser muito bom.
Às vezes, as
pessoas falam que tão candidato foi reprovado porque ele não conseguiu dançar
tudo aquilo que ele sabe. O que isso quer dizer, já que a pessoa está lá pra
mostrar o seu melhor? Como se explica isso?
No meu caso, eu ficava muito nervoso e com muita vontade
de mostrar o que eu sei. Só que a música não pedia isso na hora. Claro que você
faz as aulas para aprender as técnicas dos passos e, quando você está dançando,
você está colocando essas técnicas em prática. Mas tem uma hora que você para de usar
as técnicas só por usar. Você começa a dançar mesmo. Você fala: olha, fiz tal
coisa e nem vi. O Betinho é muito disso. Às vezes, ele está dançando e você
pergunta: Betinho, o que você fez? E ele diz: “Não sei, eu estava dançando”. No
momento, você quis fazer alguma coisa, fez e as coisas saem muito bem assim. No
penúltimo Pré-Exame, eu fiquei muito nervoso e querendo mostrar muita coisa, e
não era isso que eles queriam. Eles queriam uma dança mesmo, completa e
simples. E nesse último Pré-Exame, eu fiquei mais tranquilo, relaxado, e consegui
dançar mesmo.
Qual a importância das homenagens feitas antes do exame
da Vermelha?
As homenagens fazem parte do show. No último exame da
Vermelha, na hora do Teixeira, eles levaram o garfo, a faca. Eles tentam
representar, com objetos, com faixas, o que a pessoa é, como ela vive, o que
ela faz, trazer algumas características marcantes dela. Quando o pessoal faz
uma homenagem, eles estão dizendo: olha, isso aqui é pra você. É uma coisa
única. É muito gratificante para quem recebe.
Como faz pra transportar essa energia da torcida para
dentro do exame?
Eu imagino que, quando você vê o que as pessoas fizeram
aquilo por você, você deve ficar muito animado, você deve pensar: gente, vou
fazer esse exame aqui por vocês, pra essa galera que te deu suporte, que te deu
apoio.
Está ansioso, está nervoso?
Eu estou animado. Ansioso e nervoso, eu não estou. Estou
um pouquinho mais confiante na minha dança.
Entre a aprovação no Pré-Exame e o dia do exame da
Vermelha, o que dá pra melhorar para que se consiga o resultado esperado?
Tudo. A gente tem que escolher o aéreo, tem que escolher o
xote, tem que dançar muito, consertar os detalhes, acrescentar algumas coisas
novas, melhorar questões de técnica...
Se você fosse resumir a sua trajetória no Pé Descalço
em uma palavra, que palavra seria?
Diversão.
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E AGORA, ALGUÉM AÍ AINDA DUVIDA DESSE QUARTETO????
COM CERTEZA NÃO!
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