quinta-feira, 30 de março de 2017

RETORNO VERMELHO
Em seu segundo exame da Vermelha consecutivo, Luísa Martins quer usar experiência para escrever uma história diferente


Foto: Vinícius Teixeira


Bruno Trindade
Professora, examinadora, com mais conhecimento de dança e mais preparada para encarar o exame da Vermelha. É assim que Luísa Martins chega para tentar, pela segunda vez, alcançar o topo da escola de forró. Nos seis meses seguintes, após se aventurar pela primeira vez na mais nobre avaliação do Pé Descalço, Luísa procurou evoluir, vencer desafios, superar medos e desenvolver a sua dança de forma geral.

O esforço foi recompensado com a sua segunda aprovação consecutiva no Pré-Exame, dando-lhe a oportunidade de participar do exame da Vermelha novamente. Agora, ela quer curtir o momento, mostrar tudo que sabe e controlar o nervosismo para dar um novo show para professores, examinadores, alunos e pra quem mais estiver assistindo.

Em um bate-papo descontraído com o blog do PD Eldorado, Luísa falou sobre tudo que cerca esse grandioso momento de sua vida como dançarina de forró. Confira!


Será o seu segundo exame da Vermelha. Tem alguma diferença desta vez agora para a primeira vez que você fez o exame?
Tem sim. Pelo fato de já ter estado lá uma vez, acho que é esperado uma coisinha a mais, o motivo da reprovação (do exame anterior) melhorado. É diferente. É bem diferente.

Você esperava ser aprovada da primeira vez para o exame da Vermelha? E agora?
Em nenhuma das duas vezes eu esperava ser aprovada. Da última vez, eu dancei na boa. Agora, a mesma coisa. E desta vez, eu tinha torcido o pé um dia antes e aí eu estava mancando de um examinador para o outro, mas deu pra dançar. E os seis meses que se passaram fizeram muita diferença. O que a gente era dançando no último Pré-Exame, a gente é muito diferente hoje, assim como daqui um mês vamos estar diferentes porque as aulas ainda acrescentam muita coisa. Eu nem sabia se eu ia realmente fazer o Pré-Exame, mas aí fui pra dançar e foi super divertido. O ambiente foi muito gostoso. Então, eu dancei bem tranquila.

Essa tranquilidade e a “falta” de cobrança para passar te ajudaram a ser aprovada?
Não sei. Acho que nossa cabeça mexe muito com a gente. Muito mesmo, principalmente comigo. Eu me deixo levar muito pelos sentimentos que estão rolando no dia. Se o astral estiver ruim no lugar, eu deixo aquilo influenciar demais e fico com um astral ruim também. Eu sentia muito essa coisa de que tem que ser imediato, pois eu já passei no último Pré-Exame e, se eu não passasse neste agora, eles (professores e examinadores) iam ficar super decepcionados comigo. Mas depois eu entendi que o que importava era o meu momento. Então, eu só estava preocupada com meu pé (torcido), mas lá estava tão gostoso que eu dancei tranquila, principalmente quando eu dancei com o Ícaro e com o Tales. Eu estava bem, a sintonia com os examinadores no dia me passou muita tranquilidade. Essa sensação de que estava tudo bem, que era um domingo, que em poucos instantes íamos pular na piscina juntos... Estava tudo ótimo. 


 Foto: Vinícius Teixeira

O que você aprendeu na primeira experiência ao fazer o exame da Vermelha?
Que a gente tem que controlar a emoção. Eu entrei lá na quadra e não sabia o que eu estava fazendo lá (risos). Eu fui a primeira. O Rafael me tranquilizou o mês inteiro, mas eu fiquei muito nervosa. E acho que deu pra ver isso nitidamente. Eu passei o exame todo nervosa, aflita e tensa. A gente aprende que não é porque está toda a quadra olhando pra você, não é porque tem uma banca de examinadores, que deixa de ser um momento seu, pra mostrar a sua dança. Não é pra ficar imaginando o que eles querem, ou tentar agradar a todo mundo, pois fazendo isso a gente acaba se perdendo no caminho. A gente está sempre dançando em pares, mas o motivo de dançar não é pra agradar o outro. É de estar ali pra se divertir. E acho que eu perdi muito isso no meu primeiro exame.

Você sabe que precisa dar um show. Como trabalha isso na sua cabeça?
Esse show tem vários aspectos: tem os aspectos estético, de energia e de sintonia. Quando ninguém está olhando, você dança como se fosse um espetáculo, pensando em um bom acabamento dos passos, em uma sintonia boa com o par, porque isso é bonito. Talvez seja isso que a gente tenha que trabalhar. É dançar pensando que lá na hora, você vai ter que se divertir, vai ter que se soltar e que não deixa de ser um show. É preparar o psicológico - a Luísa precisa muito disso (risos). É trabalhar essa energia com os três examinadores muito bem, pois acho que o resto do show é a energia do momento.

 O que a Luísa Martins vai fazer de diferente neste exame da Vermelha?
Acho que vou tentar ficar tranquila. Acho que desta vez, eu vou aproveitar o meu exame. Vou dançar sem medo de quem tá me olhando, sem medo do examinador que vai vir. Acho que desta vez vou mais preparada para as variedades, de tudo. Agora pode cair qualquer música, vir qualquer examinador. A gente vai trabalhar essa ideia, de ter confiança no meu corpo, da minha proposta de dança, de lá na hora encaixar a energia e ir junto. Acho que vai dar certo, vai ser bom e eu vou aproveitar, independentemente dessas coisas.


Foto: Vinícius Teixeira

Você se sente mais preparada agora?
Não, nem um pouco. Dá o mesmo frio na barriga, o mesmo medo de fazer merda, mas estou tentando me sentir preparada. Se eu vou estar ou não, é outra coisa (risos).

 Algumas pessoas fizeram o exame da Vermelha mais de uma vez e se disseram privilegiadas por isso. Você também se sente assim?
É lindo. Poder escolher tudo de novo, ter, neste mês, a atenção de um dos examinadores... é um presente maravilhoso mesmo, ainda mais por saber que a decisão de todos trouxe você de novo ao exame da Vermelha, mesmo depois de um fracasso. Isso é legal. A gente cai depois de não passar e acho que isso acontece em qualquer nível, não só pra Vermelha. A gente sente que todo esforço não valeu de nada. Aí, de repente, você vai retomando seu gás e eles (examinadores) falam: calma, vem de novo, apresenta de novo pra gente, não desiste porque a gente não desistiu de você. Acho que é isso. Talvez essa segunda aprovação é a prova de que eles não desistiram de você. Eles ainda querem te ver lá. É ótimo.

Muitas pessoas têm dificuldades para serem aprovadas no Pré-Exame e você conseguiu por duas vezes consecutivas. Sabe explicar o motivo disso?
 É difícil pensar como eles (examinadores) e saber o que eles querem. Mas talvez seja por não ter deixado a peteca cair, por continuar dando raça. Quando a gente não passa, a gente fica se perguntando o porquê de não ter passado. Como a gente não recebe um feedback pós-exame da Vermelha, a gente vai tentando consertar tudo. Você não sabe onde você errou. Talvez um deles acha que faltou isso, outro acha que faltou aquilo, e no conjunto, não deu bom, Então, você vai buscando melhorar tudo, correndo atrás deles, perguntando, dançando, pedindo feedbacks, tentando. Talvez tenha sido por isso que eu passei de novo. Eu me preocupei demais por não ter passado, da minha dança cair totalmente. Então, eu comecei a me desesperar, a dançar demais, a dançar loucamente – claro que isso foi depois de passar duas semanas em casa, debaixo do cobertor, chorando (risos). Você vai repensando a sua dança toda, vai a reestruturando, e aí chega lá e o projeto que você apresenta pra eles de novo é satisfatório e eles te dão uma nova chance.

 Foto: Reprodução / Facebook


O que passou na sua cabeça quando ouviu o seu nome?
Nada, porque foi o primeiro nome a ser falado. Eu não tinha condição psicológica nenhuma pra escutar o meu nome primeiro (risos). Eu a Gabi nós passamos em todos os exames juntas, desde a branca. Tudo. A gente sempre ia na mesma rodada. E nesse último Pré-Exame, também foi assim. Por isso, sempre fomos muito unidas em relação a isso. A gente estava juntinha na hora do resultado, uma segurando a mão da outra, abraçadinha e o PD Eldorado todo em volta da gente. Eu, realmente, esperava ouvir o nome dela antes do meu. Na verdade, achei que era o nome dos homens primeiro. Mas aí veio o meu nome. Acho que representa um alívio pra Luísa que passou o mês inteiro preocupada. Pra Luísa de sábado, que descobriu que estava tudo bem se não passasse, foi um presente. Aí, você pensa: o que eu vou arrumar lá no meio de novo? Depois, eu fiquei animada, emocionada, comecei a chorar. E veio o nome da Gabi logo depois. Parece que a energia se encaixou. A gente já se abraçou ali e, aí sim, caiu a ficha que estaríamos juntas lá de novo. E mesmo que cada uma tenha uma proposta de dança muito diferente uma da outra, saber que faremos juntas o exame da Vermelha fez com que eu ficasse muito mais emocionada. Eu fiquei muito feliz por eles me darem essa segunda chance, por meus últimos seis meses terem me garantido, por ter dado a volta por cima do último não, por ter conseguido um sim (de novo). É muito bom pensar em todo mundo que investe em você, que coloca fé em você, é muito gratificante. E fazer junto com a Gabi então, vai ser ótimo.


Porque você escolheu o Ítalo para fazer o exame da Vermelha com você?
Porque o Ítalo foi a pessoa que me segurou aqui no Pé Descalço quando eu passei por uma fase péssima, de não me acostumar com a roda da preta. Era aquela loucura e eu falava que não dava conta de dançar. E ele falava: ‘dá sim, vamos!’. Eu sabia que (para o exame da Vermelha agora) eu ia passar o mês com uma pessoa que me deu suporte nesses três meses e meios que estou no PD, entende?! A gente ia intensificar esse suporte e vai ser ótimo porque é um momento muito importante pra mim, e vai ser mais importante ainda por poder dividir com ele.

Como estão sendo os treinos?
Os treinos estão ótimos, o Ítalo é ótimo, estou toda machucada do aéreo (risos), mas está tudo bem. Vai dar tudo certo.
                                Foto: Reprodução / Facebook


 Desta vez, como foi a escolha do xote?
Todos nós (examinados) estamos muito confusos. No grupo do whatsapp do exame da Vermelha, acho que cada um tem, pelo menos, três xotes (tirando o Juju, que é maravilhoso e já escolheu o dele). Eu tenho cinco xotes pra poder escolher, a Ju também. Tem muita coisa que a gente gosta. Tem xotes totalmente diferentes uns dos outros e não faço ideia de como vou escolher. Acho que, mais perto do dia, eu vou dançar todos eles e aí vamos ver qual vai dar ‘aquilo’. Desta vez, eu não estou ligada em nenhum xote como estava antes. 

O que vai levar em consideração para definir o xote?
Acho que o feeling que a música passa. Às vezes, nem é a letra, que não tem nada a ver com a nossa vida, mas dançar a música ali... Vou ter que sentir o que eu quero. Vou levar em conta o que ela vai despertar em mim.

O que está pretendendo fazer no passo aéreo?
O aéreo que estamos tentando agora, talvez não seja realmente o que a gente vá fazer, porque ele é realmente complicado. A entrada dele nunca foi usada, ninguém nunca entrou no aéreo daquele jeito. É um aéreo de força e talvez por isso a gente não use, pois é complicado sincronizar as forças. A gente está tentando esse aéreo, mas estamos abertos a outros aéreos também. Não mostramos pra muita gente. Mostramos para os meninos aqui da unidade pra conseguir a ajuda deles, que tem mais técnica, porque eu e o Ítalo não costumamos fazer muita aula de aéreo. É um aéreo muito diferente. A entrada dele vai causar. O resto, acho que nem tanto. Está tudo roxo, mas vai ficar lindo.
 
O psicológico, você já disse, te influencia muito. Como trabalhar a confiança pra fazer esse exame de novo?

Trabalhar a confiança é dançando, encarando os medos. Por exemplo, o medo de dançar música rápida, que eu sempre tive. Isso já se resolveu - na verdade, ainda não se resolveu totalmente (risos) -, deu uma amenizada porque eu enfiava a cara lá, dançava com quem eu tinha dificuldade de dançar, e aí você vai descobrindo que tem mais força do que você achava que tinha. E essa confiança também vem muito do apoio que a gente recebe. Os alunos estão vibrando muito. A Gabi, o Juju e eu estamos bem unidos, conversando muito, dançando muito entre a gente, e discutindo bastante sobre o exame, pedindo ajuda um para o outro. Esse companheirismo te dá uma base tão forte de segurança, que você fala: nossa, tem gente ali por mim. Aí tudo bem, a gente encara. Eu acho (risos).



Foto: Reprodução / Facebook


O que esse exame da Vermelha representa pra você?
Significa que a gente conseguiu dar a volta por cima após receber um não, e é difícil receber ‘nãos’. A gente buscou melhorar, não deixou aquilo ali abater demais, correu atrás e talvez seja a grande realização desta vez. Se for outro não também, o terceiro (exame) vai significar muito mais. Mas chegar ali duas vezes... talvez signifique que continuamos sendo bons alunos, que continuamos aprendendo, e é isso aí. É a segunda chance e a gente não ganha uma segunda chance à toa. Significa a confiança deles (examinadores) em mim; significa que a gente está buscando e que está chegando em algum lugar; significa que um não... não representa o fim.

Sua responsabilidade é maior por estar fazendo o exame pela segunda vez?
Não sei se é maior. Acho que a expectativa pode ser maior, mas a responsabilidade, não. Tudo bem que você está ali para um show, mas você também está ali para ser avaliado e, se não for dessa vez de novo, tudo bem. Será que uma terceira vez aumentaria ainda mais a responsabilidade? Acho que não. Em seis meses, a gente muda tanto que não tem como esperar a mesma coisa. Ou vai ter aquela mesma coisa muito melhorada, ou então já não é aquela mesma coisa. Meu conhecimento mudou, meu corpo mudou. Então, acho que não aumenta a responsabilidade. Acho que aumenta a expectativa. 

Qual a importância das homenagens e surpresas para a pessoa que está lá no meio fazendo o exame?
De verdade, lá na hora você não vê nada (risos). Eu vi que os meninos entraram com faixas, que eu não conseguia ler, pois estava com os olhos cheios de água (risos). Cada palavrinha que a gente escuta aqui dentro (do Pé Descalço) de motivação durante o mês (antes do exame) são surpresas. São surpresas que contam muito. Quando um aluno chega e fala: ‘você vai fazer o exame da Vermelha né? Nossa, estou torcendo muito por você! Pra mim, você já é Vermelha, merece muito’. Isso, já é uma surpresa. Você já vai pra lá sabendo que tem pessoas por você, pessoas que vão olhar e dizer que é o exame que elas mais estão esperando. Acho que as surpresas na hora só sobem o astral da gente, de ver que as pessoas se importaram em fazer alguma coisa pra te dar esse gás. E é isso que conta, e não tanto o que está escrito. O que as pessoas estão te passando durante os dias, na hora do exame, é muito importante.

  Foto: Vinícius Teixeira

Porque você deseja ser uma Vermelha?
Porque, humildemente falando, eu acho que tenho muita coisa pra acrescentar para o Pé Descalço como professora, como examinadora. Eu espero ser muito útil para o projeto. E acho que ser vermelha é mostrar que o projeto foi útil pra mim, a ponto de me tornar útil pra ele. É ver que o projeto em que você acreditou, também acreditou em você pra que você desse continuidade àquilo. Ser Vermelha é o ideal, é assumir a cara da escola. Chegar à Vermelha é mostrar que o projeto está totalmente em você. É a hora que você pode se abrir e se colocar útil para ajudar ainda mais outras pessoas a também chegarem lá.

Está confiante? 
Estou, super (risos). Eu estou confiante que eu vou estar bem na hora, que vou dançar tranquila.

 Foto: Vinícius Teixeira

domingo, 23 de outubro de 2016


Perguntamos aos alunos da unidade Eldorado (todos os níveis de roda), qual a dupla de professores (as) da escola PÉ DESCALÇO que mais representa, inspira ou passa o melhor conteúdo! DIFÍCIL NÃO?
A escola Pé Descalço tem um time super TOP e realmente destacar uma dupla foi difícil! Cada um com seu estilo e didática de aula contribuem para o sucesso do movimento FORRÓ!

Legal dizer que, esta pesquisa mostrou também a importância da retomada do Projeto INTERCÂMBIO de professores, que atualmente está suspenso. Muitos alunos que se inspiram em professores (as) de outras unidades, não tinham uma opinião formada por que nunca tiveram ou tiveram pouco contato com as aulas dos mesmos! #PDvoltaintercâmbio

Os destaques nas unidades foram:
Eldorado: Luiz Henrique e Ana Flavia
Pampulha: Thales e Andrezza
Nova Lima: Teixeira e Luiza
Savassi: Juzinha e Lucas Dumont
Cidade Jardim: César e Milena


Agradecemos a todos os alunos pela participação!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sendo melhor na dança e na vida

Passamos agora para vocês, um texto tirado da página do PD São Paulo, que é uma teoria sobre como o aluno lida com suas dificuldades na dança. Texto sugerido pelo nosso professor Rafael Wilker.
Leia com atenção e, pensando em você, tente identificar algo em comum no seu dia a dia como aluno.
Boa leitura!!!

Já ouviram falar em mecanismos de defesa do ego? Pois então, é uma teoria desenvolvida pela filha de Freud, Anna Freud, que contou com muito da contribuição do gênio que tinha em casa para apresentar as maneiras como o nosso inconsciente utiliza para diminuir e se proteger de angústias relacionadas à nossa persona. E por que isso é importante para nós, na dança? Pois a compreensão dos mecanismos de defesa é fundamental para estarmos atentos a algumas “desculpas” que utilizamos frente às nossas limitações e, assim, atingir a nossa potencialidade em termos de consciência de dançarinos.

Primeiramente, todos têm esse tipo de reação, não é algo somente para malucos ou algo que deva ser combatido até a morte. Psicólogos defendem que tais mecanismos são de enorme importância para que não tenhamos um colapso nervoso, mas a compreensão dos mesmos pode ajudar muito para melhorar nossos comportamentos e nossa dança. Ou seja, não é uma lista de regras das quais você deve fugir...é apenas um conselho tranquilo, buscando uma atenção maior para que isso não influencie negativamente no desenvolvimento de vocês!

Quais os mecanismos mais comuns entre os dançarinos? Em diversos momentos da vida na dança nos deparamos com críticas, repressões, limitações, dificuldades etc., e nesses diversos momentos é muito comum que o aluno ou o dançarino utilizem dos seguintes mecanismos para evitar a angústia de tais enfrentamentos:


  •  Repressão: o famoso “apagar da memória” (ou do consciente). Não consigo executar tal passo ou tenho dificuldade em tal movimento...como vou agir? Nosso inconsciente faz com que tiremos a atenção para isso e realmente deixemos de lado, a ponto de tal barreira não mais ficar presente no nosso consciente e não nos incomodar mais. O problema é que acabamos, assim, limitando nossas potencialidades e minando o nosso desenvolvimento.
  • Negação: recusar em aceitar a aflição. “Esse movimento nem era tão importante”, “não queria fazer parte dessa apresentação mesmo”, “essas aulas já não estavam tão agradáveis assim” etc. são reações comuns de negação quando surgem barreiras no nosso desenvolvimento como dançarinos.
  • Projeção: É o mais presente no universo da dança! Consiste em atribuir um sentimento de inferioridade interior a algum objeto externo. “Não estou aprendendo pois o professor não me dá atenção”, “Não sou bom porque a escola é ruim”, “Hoje não estou dançando bem pois o chão está escorregando”, “Os movimentos não estão saindo pois comi demais no almoço” etc. são as reações mais comuns. Isso não quer dizer que alguma dessas situações deixe de ser verdadeira, pois às vezes a escola, o professor ou o estômago estão realmente falhando, mas é bom estar atento quanto à possibilidade de isso ser um mecanismo de defesa. Uma outra forma de materialização da projeção muito comum é a criticidade. Já viram aquela pessoa que critica demais a dança dos outros? Geralmente é uma maneira de aliviar a tensão que a mesma carrega consigo em relação à própria dança. Lembre-se: criticar alguém não te faz melhor que ninguém.
  • Intelectualização: Dar justificativas lógicas e racionais para reduzir a tensão. “Não fazer parte do grupo de apresentação vai me dar mais tempo e deixar minha agenda mais organizada”, “Me dedicar à dança ia atrapalhar minha dedicação ao trabalho no escritório” etc. são exemplos comuns de proteção.
  • Formação reativa: fazer o oposto do que você gostaria de fazer. É comum, quando um aluno não consegue aprender um passo ou se desenvolver nas aulas, o ato de assumir uma postura de desdém ou de brincadeiras em excesso. Casos assim geralmente ficam evidentes em alunos bagunceiros (“estou aqui só pra me divertir!”) ou que abandonam a dança por um sentimento escondido de incapacidade.
  • Regressão: retornar a uma busca mais imatura de proteção. O choro e a busca por colo são muito comuns quando enfrentamos problemas (não só na dança!), o que é bastante natural e, inclusive, aconselhável. Porém, quando em excesso, prejudica o desenvolvimento da pessoa.
Enfim, esses são alguns comportamentos de defesa comuns presentes no universo da dança. Lembrando que fazem parte da natureza humana! Novamente, apenas aconselhamos que fiquem atentos para que isso não influencie negativamente no desenvolvimento de vocês!

Esperamos que o texto possa ajudar não só para o mundo da dança, pois geralmente os comportamentos em dança são um reflexo dos comportamentos no nosso dia-a-dia! :)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CONVICÇÃO VERMELHA
João Guedes reúne aprendizado para buscar a aprovação em seu terceiro exame

  
Fotos: Arquivo pessoal





João Guedes, em seus cinco anos de Pé Descalço, conhece bem os caminhos para se chegar ao exame da Vermelha. Ele sabe, inclusive, quase todas as sensações que esse grandioso momento é capaz de proporcionar. Já fez o exame em duas oportunidades. Na primeira, faltou um pouco de experiência. Na segunda, precisava ter demonstrado mais as habilidades que aprendeu em sua caminhada pela Escola. Mas agora, ele chega com muito aprendizado, sabedor do que precisa ser alterado para alcançar o seu almejado sucesso. 

João se diz pronto para encerrar um ciclo e fechar, com um colar vermelho no pescoço, a sua trilogia no exame da Vermelha. Ele traz na bagagem experiência, empenho, dedicação, estilo, surpresas e uma dança impactante para alcançar as duas sensações que lhe faltam: a emoção de ser aprovado e a integração ao corpo de Vermelhas do Pé Descalço.

Em entrevista exclusiva ao blog do PD Eldorado, João fala da experiência que adquiriu nos outros exames, da preparação, da emoção por fazer mais um exame da Vermelha e o que ele precisa fazer para ser aprovado.


O que faltou nos outros dois exames para que você fosse aprovado? O que fazer agora para que a história seja diferente?
Acho que no primeiro exame que fiz, faltava muito controle na dança, tinha muita coisa que precisava melhorar: a questão do corpo, bastante coisa. No segundo, dei uma melhorada grande nessas paradas que eu precisava melhorar, só que acho que faltou explodir, desembolar mais a dança. Acho que isso que faltava, porque agora vai rolar (risos).

O que você tirou de aprendizado dos outros exames e irá levar para esse exame agora?
No último exame, o tempo que eu treinei com a Juzinha mudou de mais a minha dança, acrescentou muito. Com certeza, de lá pra cá, eu tive um aprendizado muito grande. E (aumentou) o esforço também.

Você estava confiante antes do pré-exame e já esperava uma aprovação?
Eu não esperava. No último feedback do último exame, o meu feedback veio muito bom, veio sem muita coisa que eu tivesse que corrigir. Agora, nesse último feedback já veio mais coisas para que eu pudesse melhorar. Aí, a princípio, eu fiquei meio (chateado). Parecendo que eu piorei.  Só que depois eu fui parar para analisar e é o seguinte: A galara já está querendo que eu passe. Todo mundo escreveu ali com o intuito de me ajudar e tudo mais. A princípio eu estava meio com medo de não passar. Mas depois fui caindo na real, chegou na hora do pré-exame eu estava mais tranquilo. Acho que me esforcei pra garantir a aprovação.


Qual foi a sua reação ao ouvir que você estava aprovado mais uma vez para fazer o exame da Vermelha?
No primeiro instante, foi uma sensação de alívio, porque eu estava assim: esse exame eu preciso passar. A segunda reação foi de compromisso, porque agora, na hora que eu escutei o meu nome, eu falei, agora o pau vai quebrar. É treinar para fazer o melhor na hora do exame.  

Eles estão esperando um show. É assim que você encara esse exame? Das outras vezes, pensava assim também?

Das outras vezes, não. Mas desta vez, eu meio que estou precisando encarar assim, porque eu acho que é justamente esse diferencial que eu preciso mostrar lá. Já estou no Pé Descalço há muito tempo e lá no exame, você tem que fazer o seu exame, tem que estar curtindo e tudo mais, mas querendo ou não, ali você tem que fazer um show. Tem que mostrar pra galera tudo que você sabe fazer, da melhor maneira possível. Acho que ali todo mundo espera por um show.

Você acha que tem que ter um algo a mais nesse seu exame?
Acho que esse algo a mais é o que falta. Tem que dar um show, porque ali é o momento que vai cravar a sua transição do Preta Avançada para o Vermelha. E o Vermelha é a pessoa que mais representa o Pé Descalço, mais representa o projeto. Acho que ali você tem que representar o projeto Pé Descalço como um Vermelha. 


Dá pra trazer novidades no xote e no aéreo, no seu caso, já que será o seu terceiro exame?
Dá sim. Dá pra você mudar o aéreo, mudar na música, escolhendo um xote diferenciado. Dá pra ter uma novidade sim.

E o que está pensando para escolher o seu xote?
Pra não perder a tradição, vai ser um Forreggae, isso é claro. O primeiro e o segundo foram nesssa vibe e o terceiro vai ser desse naipe. Mas acho o xote que escolhi é uma música que é muito a minha cara, é muito a minha ideia de... não vou nem falar mais senão vou acabar falando a música aqui (risos). Mas é muito a minha cara essa música que escolhi.

Tem pessoas que fazem um aéreo mais simples, outros mais impactantes. O que você está pensando para esse seu terceiro aéreo?
Acho que esse aéreo é um pouquinho complexo e acho que ele será bem impactante. Estou nessa expectativa, porque no meu último exame (da Vermelha), eu tive um retorno muito bacana do aéreo. Esse agora está no mesmo nível, na mesma linha de pensamento. Acho que vai ser legal.

Você já está acostumado com as surpresas que eles fazem antes e durante o exame. O que espera desta vez?

Eu acho que o pessoal do Eldorado está mais ou menos lascado, porque as nossas homenagens é tudo na base da zoeira, a gente quer sacanear a galera e tal. Então, já é o meu terceiro exame. Os caras já estão ficando sem criatividade. Vamos ver o que eles vão fazer pra mim, do que eles vão me zoar. Mas é muito bom porque você vê que está todo mundo torcendo. Por mais que seja zoeira, sacaneando a pessoa, isso dá um ânimo muito bom na dança. A gente fica bastante animado.

Você acha que sua responsabilidade, por estar fazendo o seu terceiro exame, é maior do que das pessoas que irão fazer pela primeira vez?

Eu acho que não, porque cada um tem o seu tempo para poder passar. Tem gente que consegue chegar lá, desbloquear tudo e fazer tudo que é necessário pra poder passar. Tem gente que às vezes chega lá, fica nervoso, se emociona e não consegue. Vai de pessoa pra pessoa. Cada um vai encarar de uma forma. Então, não vejo isso como uma responsabilidade a mais não. Mas, no meu caso, no terceiro exame, pra mim está sendo meio que obrigatório (passar). Preciso passar, preciso concluir isso.

O que representa o colar da Vermelha pra você?
Quando você entra no Pé Descalço, o pessoal te apresenta uma proposta do projeto. Então, à medida que você vai participando do que o projeto está propondo, o que você espera é chegar lá no final e concluir o ciclo. De início, é a conclusão de um ciclo, fechar esse ciclo. Só que aí na Vermelha é o início de uma outra fase. A pessoa quando passa pra Vermelha, ela tira um pouco dessa “obrigação” de treinar para o exame e tudo mais, e ela passa a explorar um pouco mais a dança dela. Pelo menos, é uma parada que eu observo quando a pessoa para pra Vermelha. Ela tira um peso das costas e ela consegue melhorar ainda mais. A impressão é que quando uma pessoa passa pra vermelha, você vê ela dançando, pode ser no outro dia, parece que tá melhor. Porque a pessoa consegue focar a energia dela em explorar mais a dança e tal. É um novo começo, um outro ciclo.



O que você acha que conseguiu fazer para passar em dois pré-exames consecutivos? Que conselho você daria para as pessoas que têm dificuldades em serem aprovadas no Pré-Exame?
Tudo que aprendi no último exame, nesses últimos seis meses, eu tentei trabalhar ao máximo, treinando bastante o que eu melhorei para não perder. Tive alguns problemas pra não vir tão frequente, teve mês que eu faltei um pouco mais, mas treinando ao máximo, acho que foi isso que me ajudou a passar de forma consecutiva, porque eu fiquei no mesmo nível do último exame. Agora, pra quem não passou, eu não sei se isso acontece com outras pessoas, mas é justamente tentar aplicar o que o pessoal fala que você precisa melhorar, por mais que você acha que, o cara conversou meio abobrinha aqui, mas você tentar enxergar o outro lado. Eu preciso melhorar isso aqui, então deixa eu tentar fazer e tentar ao máximo. Eu tenho dificuldade com muitas coisas, mas eu tento. É tentar e não desistir. Se você está almejando ser Vermelha, consequentemente quando você for Vermelha, você vai ser exemplo. Então, acho que você tem que começar a dar exemplo antes, é não desistindo, porque se você chega ali na Preta Avançada e desiste, aí quem tiver um colar atrás (de um nível menor), ou a pessoa que já olha pra você e fala esse cara dança muito, ele vai pensar. Poxa, o cara que dança muito desistiu, eu não vou nem fazer essa parada. Não vou nem arriscar. Então, acho que o primeiro passo é isso. Não desistir e continuar tentando, sem deixar o negócio sem muita obrigação, sempre procurando aproveitar ao máximo, se divertir, mas é treinar, pegar aquilo que o pessoal fala que você precisa melhorar e fazer o máximo, tentar mesmo fazer.

Você é um cara que se destaca pelo pé-de-serra. Terá alguma novidade para este exame?
Eu vou ver se consigo elaborar alguma outra parada pra poder fazer lá no exame de pé-de-serra. Para representar né?! (risos)

Você acha que o pé-de-serra é a sua maior marca?
Com certeza. Pé-de-serra é o meu estilo. Meu estilo é mais voltado para o pé-de-serra, para o roots. Acho que é bem característico da minha dança.





SUPERAÇÃO VERMELHA
Luísa Martins reúne o conhecimento necessário, em três anos de Pé Descalço, para alçar o nível mais nobre da Escola

Fotos: Arquivo pessoal



 BRUNO TRINDADE

 Já são três anos desde que Luísa Martins, candidata ao exame da Vermelha pela primeira vez, iniciou a sua caminhada no Pé Descalço. E ela não aprendeu apenas a dançar forró. Ela fez grandes amigos, venceu medos, quebrou barreiras, superou um drama, virou professora e examinadora, evoluiu como dançarina e como pessoa, além de seguir sempre em busca de novos conhecimentos e objetivos. Agora, ela se encontra diante de seu maior desafio no PD: encarar o exame da Vermelha. Trata-se de um espetáculo, um verdadeiro show, onde ela terá que encarar o crivo analítico de cada um dos examinadores, a pressão natural, o nervosismo, a empolgação da torcida, mais de uma centena de pessoas a sua volta e a ansiedade para alcançar o sonho de virar Vermelha. 

Mas a história da Luísa, tanto dentro quanto fora do Pé Descalço, mostra que ela sabe muito bem lidar com desafios e superar obstáculos. E agora, ele está focada nos treinos e no que será preciso fazer para poder triunfar mais uma vez.

Em entrevista exclusiva ao blog do PD Eldorado, Luísa fala de sua história no PD, das dificuldades, do aprendizado, da emoção que a dança lhe proporciona e a sua expectativa para o grande exame da Vermelha.


Quando você entrou no PD e conheceu o sistema de níveis de aprendizado, imaginava que faria o exame da Vermelha?
Nunca. Eu lembro que vim pela primeira vez no Pé Deslcaço com o Douglas (Chimbinha). A gente via o Ítalo dançando e eu pensava: Eu nunca vou conseguir dançar com o Ítalo. Eu morria de medo do Ítalo me chamar para dançar porque ele dançava muito. Eu falava: meu Deus, eu não consigo fazer isso. Mas o Douglas acabou me ‘obrigando’ a ficar. Aí, o Betinho abriu uma turma de Branca no horário da Azul. Essa turma durou uns dois meses e depois acabou, porque eles começaram a usar o espaço lá de baixo. Com três semanas, fiz o exame da Azul e acho que só passei por causa dessa turma do Betinho, que foi um intensivão. Isso é o bom do Pé Descalço: ele te dá a chance de absorver as coisas no seu tempo. Ele vai devagarzinho, tudo calminho... E acho que foi isso que me deu confiança pra ficar, por saber que eu nunca seria sobrecarregada. Mas eu não achava que eu ia chegar aqui. Com certeza não.

O que foi mais difícil na sua caminhada?
Até a Preta, eu não dançava música rápida. Eu morria de medo. E quando eu passei pra Preta, não tinha mais a opção de ter medo de música rápida porque o Alex, quando senta nessa cadeirinha aqui, só vê as músicas rápidas do computador (risos). Acho que foi a minha maior dificuldade Eu tinha medo de machucar o cara, segurava muito a mão dele ou a mão fugia toda hora, estava saindo sempre para longe do cavalheiro, ou trombando, ou batendo o cotovelo. Era um desastre total. E eu tive também muito problema de equilíbrio. Muito. Eu me pendurava no básico, porque não conseguia ficar em pé.

E como resolveu esses problemas?
Na marra (risos). Era o Luiz (Henrique) repetindo, repetindo. Ele me falava: ‘Lu, você está caindo’. Eu falava que não, que era impossível. Aí, ele fazia o passinho e ele me soltava. Eu caía igual uma jaca, batendo o calcanhar no chão. Acho que marra é a palavra errada. Eu superei esses problemas com o treino. Insistindo. Assim que resolvemos.
 
É importante ter humildade de reconhecer os erros para evoluir?
Sim. Quando eu falava pra ele que não estava caindo, era porque eu não sentia. Aí, ele fazia uma sacada e me soltava. Onde eu parava, eu ficava. Era assim. Acho que é muito importante a gente conseguir encontrar os erros da gente e quando alguém achar, a gente pensar sobre aquilo. Porque não é só uma alta avaliação. Você não dança sozinho. E também não é só uma avaliação do outro, porque o outro também não está dançando sozinho. É muito importante ter essa humildade até pra ajudar o outro a crescer. E a gente crescer como pessoa também. Porque aceitar crítica não é fácil pra todo mundo.

E qual era a sua expectativa antes do Pré-Exame? Achava-se pronta para ser aprovada?
É o meu segundo Pré-Exame. E no primeiro, eu fiquei extremamente nervosa. Todos os erros que eu já tinha na dança foram potencializados pelo meu psicológico. Neste Pré-exame agora, acho fui tranquila. Ah... e teve o Raso também. Ele levou todo mundo pra uma sala e deu um discurso sensacional de que se a gente ficasse nervoso, a gente estaria se sabotando. Então, pensando no “eu” que treinou, que se arriscou, que dançou músicas muito rápidas com o Teixeira (que sai voando se puder), com o Betinho, com o Alex, com todo mundo. Eu achei muito injusto “cagar” tudo por insegurança, por nervosismo, por sentir uma pressão. Então, eu fui tão tranquila e acho que eu dancei o que eu realmente danço. E de alguma forma, eles acharam que isso foi o suficiente e eu gosto muito disso (risos). E fico muito grata (risos). Eu me diverti muito no Pré-Exame, muito mesmo. 


De repente, foram seis aprovados. E um desses nomes era de Luisa Martins. E aí, o que você sentiu na hora do resultado?
Acho que a ficha não caiu na hora. Acho que ainda está caindo (risos). Às vezes, eu tenho uns ataques de pânico (risos). Coisa básica. Mas é sério. O Ítalo, a Ana, o Teixeira... todo mundo voltou (da reunião dos Vermelhas) sem olhar pra mim. Na hora que falaram o meu nome, todos eles olharam pra mim, tipo: ‘Eu queria te contar, mas eu não podia’. Acho que esse olhar foi que me fez pensar assim: nossa, eu passei, como assim?! Se pudesse definir a sensação, foi essa: de alívio, por terem finalmente olhado pra mim, e de felicidade. De muita felicidade, porque eu fiquei satisfeita e eles também. E isso é muito gratificante.

Como está a preparação para o exame da Vermelha?
Eu acho que fiquei meio nervosa assim que eu percebi que eu realmente ia fazer o exame, sabe. Acho que cai a ficha que você passou no Pré-Exame, mas não cai a ficha que depois de um mês você vai estar lá no meio da quadra. Aí, quando cai a segunda ficha, você pega os vídeos pra assistir (dos exames anteriores da Vermelha) e fala: gente, serei eu no meio da quadra. Ai, bate aquela coisinha: tem muita coisa errada na minha dança. Tenho que melhorar tudo (risos). Acho que escolher o Rafa foi uma coisa muito importante porque ele conversa comigo com uma linguagem que eu entendo e que me acalma. A preparação vai muito bem. Estar confortável com a pessoa que está me auxiliando, faz muito bem para o meu psicológico. Eu já fico mais tranquila só de saber que quem estará lá na quadra vai ser ele. E que ele vai falar assim: ‘filha, não caga tudo, tá bom?’ (risos). Então, tá bom.

Você acha que o psicológico pode te atrapalhar?
Olha, nós vamos fazer de tudo para que não atrapalhe. Mas pode. Todo mundo tem dia bom e dia ruim pra dançar. Todo mundo tem dia bom e ruim na própria vida. E consigo mesmo. Tem dia que você não está legal com você. Tem dia que você não está legal com o outro. Tem dia que você não está legal com o mundo. Eu espero, de verdade, que eu consiga ficar calma durante o dia todo. Inclusive, vou estar ocupada o dia todo (examinando) e acho que isso pode fazer muito bem pra minha cabeça. E é aquilo que o Raso falou: é não desperdiçar todo o tempo de treino, a dedicação das pessoas. Mas acho que sim, que o psicológico pode me afetar. Posso ficar muito feliz, posso ficar muito triste. Mas no psicológico que eu estiver, eu vou tentar dar o melhor que eu conseguir dar na hora.

Mas o psicológico também pode te ajudar?
Pode me ajudar. Você é doido? Ver os meus alunos tudo em volta da quadra gritando o meu nome. Acabou... morri! (risos)

Dá pra imaginar qual vai ser a sensação lá na hora, quando anunciarem o seu nome para o exame da Vermelha?
Vai ficar todo mundo caladinho, todo mundo quietinho. Não vamos assustar a amiguinha (risos). Eu acho que ser colocada na frente do holofote, é uma sensação que você até pode imaginar. Ou você vai se sentir incrível, ou incrivelmente ruim. Acho que vai ser uma sensação muito intensa. E uma sensação muito boa, de ver a galera torcendo. Ou não torcendo também, sem pressão gente (risos). Acho que vai ser muito bom porque é o sonho né?! Meio que todo mundo que está aqui tentando, que se viciou nessa classificação do Pé Descalço, que quer realmente, que tem aquela sede... Acho que é uma sensação muito boa sim. Intensa. Perigosa. Mas vai ser bom. (risos)

Você teve um grave problema de saúde. Você achou que podia não poder dançar mais?
Quando eu tive o meu problema de sáude, os médicos disseram que dificilmente eu teria fôlego pra aguentar qualquer atividade física. Fiquei de agosto a setembro sem dançar. Foram sensações muito intensas. De estar aqui e não poder dançar, de começar a dançar uma música mais rápida e ter que parar de dançar porque eu não conseguia respirar. Foi uma coisa que me assustou muito. Mas por ter passado por isso e logo depois ter passado no exame, acho que me deu uma pontinha de esperança. Se eu treinasse aos pouquinhos, respeitasse o meu corpo, eu conseguiria chegar. E a gente está tentando chegar lá ainda. Tá chegando (risos). Mas, sim. Eu realmente achei que eu não poderia chegar até aqui. Por pouco tempo. Mas achei.


Que tipo de xote você está pensando em escolher?
É um xote bem marcado. Acho que a energia que o xote vai passar, não só pra mim, mas para quadra, vai ser muito boa. Acho que vai ser um ótimo começo para o exame. Eu espero simplesmente conseguir brincar muito no xote, porque ele deixa muito aberto pra isso. Vai ser muito legal. Eu fico muito doida pra contar (risos).

O que você pensa do aéreo? Será um aéreo mais simples, um aéreo mais impactante?
Eu tenho muito medo de altura. Então, a gente vai tentar achar um aéreo onde eu sinta o contato do meu par o tempo todo, porque aí eu vou ter confiança de ajudar. O aéreo não é só feito por uma pessoa. Se eu não puder ajudar, ele vai ter que carregar aqui esses 60 quilos de muita gostosura (risos), sozinho. Então, eu preciso achar um aéreo que eu esteja confortável e confiante, porque não é para ser uma coisa que me assuste no meio da quadra. É pra ser uma coisa que levante a minha energia, a energia da quadra, do meu examinador, de quem estiver assistindo, de quem for assistir ao vídeo depois - eu mesma vou assistir umas 70 vezes. Então, eu penso em um aéreo que seja impactante, porém que não seja muito difícil para que não me assuste, para não ser uma coisa que possa acabar com o meu psicológico. Nem com o meu corpinho (risos). Espero, de preferência, ficar inteira após o exame (risos).

O que é necessário fazer para conseguir a aprovação?
Para a Vermelha, talvez eles queiram ver que eu já superei a maioria dos desafios comuns, para eu ir atrás agora de desafios maiores, tipo criar coisas novas, ou ser uma professora melhor, ou ser uma boa examinadora. É você ir quebrando as barreiras do seu corpo, da sua mente, tentar se arriscar, não ter vergonha de pedir ajuda. Eu infernizava a vida do Ítalo e ele falava que não aguentava mais ouvir a minha voz (risos). Os examinadores têm uma maturidade maior que a nossa. Então, talvez eles queiram ver que a gente está chegando perto dessa maturidade. Que a gente está alcançando esse padrão máximo do nosso próprio corpo. Talvez seja chegar ali na expectativa deles e dar um passinho a mais.


Todas as mulheres que passaram, foram aprovadas pela primeira vez. Isso diminui a responsabilidade? Aumenta?

Acho que a pressão existe contra você mesmo. É o meu primeiro exame. Então, eu preciso fazer com que meu primeiro exame seja muito bom. Se eu tiver que fazer outro exame, que ele seja ainda melhor do que o primeiro, porque aquele limite ali eu já quebrei. E o meu próximo limite vai ser maior. Por ser a primeira vez, aumenta o nervosismo de todo mundo, das meninas todas. Tenho certeza, todas estão assim: gente, socorro! Como assim? Eu passei no Pré-Exame (risos). Acho que passar pro Pré-Exame aumenta a sua responsabilidade na dança, não sobre o exame, porque te deram um voto de confiança, e isso traz a responsabilidade. A confiança de alguém em cima de você traz um pouquinho de responsabilidade. Não sei se aumenta. Acho que é igual pra todo mundo. Embora eu seja muito dramática e talvez esteja sofrendo um pouco mais (risos). Mas realmente acho que todas nós vamos fazer o melhor. O que a gente podia até o Pré-Exame, tende a ser potencializado porque escolhemos pessoas para nos ajudar que a gente realmente acha que vai explorar esse lado nosso.

O que esse colar da Vermelha representa pra você?
Representa muita coisa. Acho que não só representa o início de um novo ciclo, de uma nova caminhada, de uma visão diferente das coisas. Eu acho que também representa que fomos bons alunos, que tudo que tentaram ensinar pra gente, a gente tentou aprender, e a gente aprendeu. Também significa muita paixão, dedicação, uma explosão de tudo que é muito bom. Sentimentos de medo, de ansiedade, de querer saber o que vai acontecer.  Fazer o exame envolve muita emoção, porque passar pra Vermelha é ser representante da Escola, é virar a cara do Pé Descalço. É o Pé Descalço falando assim: você está pronta pra tentar ser a nossa cara. Acho que representa gratidão também por quem investiu na gente, por quem teve paciência, por quem não teve também, que fez a gente ficar esperto, por quem pegava leve quanto a gente estava cansada e por quem não pegava leve.



A gente sabe também que sempre ocorrem muitas surpresas antes dos exames da Vermelha. O que você acha que vem por aí e qual a importância dessas surpresas?
Acho que a maior surpresa é que o Ítalo vai morrer de chorar. Tadinho, mas vai morrer de chorar. Vai ser surpresa pra ele, acho que nem ele sabe que ele vai chorar (risos). Nos dois últimos exames da Vermelha, eu meio que liderei todas as surpresas: as cartinhas que os meninos receberam, o correio elegante. Eu escrevi à mão, com  a minha canetinha prateada, com glitter. Fazemos isso porque a gente gosta muito da galera e porque a gente quer potencializar, seja durante o dia todo ou durante o exame, o que tem de bom na pessoa. A gente quer potencializar a parte dos sentimentos bons. E acho que se fizerem alguma coisa pra mim, eu vou ficar louca (risos). Sem noção. Acho que vou ficar muito grata a tudo. A cada sorrisinho, a cada pessoa que vai chorar de emoção, a cada um que vai me abraçar no dia, que me abraçou no Pré-Exame, que vai me abraçar depois; a cada pessoa que vai demonstrar algum tipo de reação por ser eu quem estará fazendo o exame. Essa é a surpresa: é você estar lá no meio da quadra e todo mundo, por entender o que aquilo ali significa, está te apoiando e está te mandando coisas boas. E pra quem conhece a gente, vão me desestabilizar emocionalmente com certeza (risos).

Que conselho você daria para as pessoas que também sonham em chegar à Vermelha?
O conselho que o Luiz me deu há muito tempo faz muito sentido na minha cabeça e até hoje é uma coisa que me ajuda muito quando eu estou muito nervosa. É não ter pressa. As coisas acontecem na hora certa, fazem sentido na nossa cabeça. Um passinho que está difícil, um conceito que a gente não entendeu, aquilo ali faz sentido com o tempo e com a prática. Em algum momento, você vai conseguir superar os seus limites e será reconhecido por isso.      

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Festa Junina - 5ª edição

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Halloween - 5a Edição